Referências
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Resumo
HUGHES-WILSON, John. The Puppet Masters: spies, traitors and the real forces behind world events. Londres: Cassell, 2005.
por Helio Maciel de Paiva Neto Abin
Em sua função de assessoramento e fornecimento de infor- mação privilegiada a governos e lideranças mundiais, os profissio- nais de Inteligência se inserem, de forma muito sutil, nos mais altos centros de poder e decisão do cenário internacional, embora tal função geralmente passe desapercebida do grande público. Equivaleriam-se, por assim dizer, a verdadeiros Puppet Masters (mestres de marionetes) do poder, afastados dos olhos da opinião pública, mas sempre por trás de cada ato dos líderes mundiais frente a suas platéias. Não seria exagero dizer que os serviços de Inteligência seriam, dessa forma, “as verdadeiras forças por trás dos eventos mundiais”.

Traçar uma história da atividade de Inteligência e seu impac- to nas decisões dos estadistas, imperadores e generais através dos séculos. Não é outro senão esse o propósito do Coronel John Hugues-Wilson, oficial de Inteligência britânico aposentado, com mais de 30 anos de carreira, em sua obra “Puppet Masters: spies, traitors and the real forces behind world events” (Mestres de Mari- onetes: espiões, traidores e as verdadeiras forças por trás dos even- tos mundiais). Busca, dessa forma, suprir uma séria lacuna na lite- ratura do setor, que há muito precisava de uma obra abrangente, completa, e ao mesmo tempo de fácil leitura e compreensão.
Logo no início do primeiro capítulo, o coronel Hugues-Wilson ironiza o velho adágio segundo o qual a Inteligência seria a segunda
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profissão mais antiga, atrás apenas da prostituição. Segundo o au- tor, tal afirmação seria um completo absurdo. Para ele, é obvio que a Inteligência é a mais antiga ocupação da raça humana, não fican- do atrás de nenhuma outra. Isso porque a necessidade de conhecer, de obter informações sobre o ambiente que nos cerca está profun- damente encravada em nossas raízes biológicas e sociais, tanto quanto a necessidade de reprodução. Se, talvez, segundo o autor, Adão tivesse um relatório de Inteligência sobre o que a serpente e Eva estavam tramando, nós não estaríamos na situação em que estamos hoje.
Certamente,Adão não dispunha de tal ferramenta para orientar suas decisões. Masnão demorou muito para os líderes das primeiras civilizações desenvolverem seus próprios aparatos de Inteligência. É muito conhecida acitação bíblica do“pedido deInteligência” de Moisés no Velho Testamento quanto à configuração das terras de Canaã. O que poucos sabem é que os primeiros registros históricos de coleta de informações e dados são ainda muito mais antigos. Por volta de 3000 anos antes de Cristo, os sumérios e os egípcios registravam o que hoje são considerados os primeiros documentos de Inteligência da história. Tais relatórios dão conta da movimentação de tropas ini- migas, seu número de soldados, as armas de que dispunham, enfim, informações necessárias para a efetiva aplicação do poderio militar desses impérios que dominaram o Oriente Médio no alvorecer da his- tória registrada.
Ocoronel Hugues-Wilson continua sua narrativa ao longo dos 20 capítulos de sua obra de maneira notavelmente agradável e completa, abordando os segredos dos serviços de Inteligência de praticamente todos os Estados da Antiguidade e da Idade Média. Por meio de sua obra conhecemos, por exemplo, os Frumentarii e os Peregrini Romanos, os agentes do primeiro sistema de Inteli- gência nacional da história, desenvolvido a partir da rede pessoal de informantes de ninguém menos que Júlio César. Descobrimos, ainda, que a maior prioridade da Inteligência do Império Bizantino era a proteção do conhecimento; por não menos do que quatro séculos, a Contra-Inteligência de Constantinopla conseguiu
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preservar dos mouros o segredo da fórmula do “Fogo Grego”: uma mistura de nafta, betume, resina e outros elementos que resultava em um líquido altamente inflamável cuja chama não poderia ser apagada com água.
Avançando ao longo dos anos, a obra em questão aborda a ênfase que deram à atividade de Inteligência os mongóis e os venezianos, no oriente e no ocidente, respectivamente, na Baixa Idade Média. Na mesma época, no ocidente, a Inquisição Católica e, no oriente, os Hashishin islâmicos usavam suas redes de infor- mantes como arma para impor o terror religioso nos fiéis e infiéis de seus respectivos credos. Em toda parte, crescia a importância da Inteligência para consolidar a força dos poderosos, para con- trolar seus súditos e defendê-los de seus inimigos.
Com a Reforma, no séc. XVI, e o surgimento das guerras religiosas na Europa entre protestantes e católicos, emerge aquela que é reconhecida como a primeira grande rede internacional de Inteligência da era moderna, a rede de Sir Francis Walsingham, o chefe do Serviço Secreto da Rainha Elizabeth I. Com agentes de Lisboa a Constantinopla, de Oslo a Argel, nada, em parte al- guma da Europa, escapava à Inteligência britânica sob Sir Walsingham. Sua influência foi tanta que, através de ações de sabotagem e pressões político-econômicas, conseguiu atrasar por dois anos o envio da invencível armada espanhola, dando à frota Inglesa o tempo suficiente para se armar e se preparar con- tra a ameaça hispânica, além de lhe prover dados que foram cruciais para a vitória que consolidou a supremacia britânica nos mares por séculos a fio.
No séc. XVII, contudo, foi o Cardeal Richelieu quem herdou a coroa de grande mestre da Inteligência européia. Apesar de ser um homem da igreja, o Cardeal não mediu esforços, apelando para todas as armas do arsenal da Inteligência em prol da raison d’etat, a razão do estado, conceito que criou para justificar as ações, muitas vezes ilegais e imorais, em prol do rei e da pátria. Com o cabinet noir de Richelieu, a França de Luís XIV, o “Rei Sol”, atingiu
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o zênite de seu poder, tornando-se a potência dominante na Europa continental por, pelo menos, mais dois séculos.
Desfazendo uma noção bastante arraigada, o livro afirma que a atividade de Inteligência nos Estados Unidos da América não se iniciou apenas após o ataque japonês em Pearl Harbour, mas sim antes mesmo de sua fundação. Nesse sentido, um dos maiores comandantes de Inteligência de sua era foi ninguém menos que George Washington, o pai da independência e primeiro presidente estadunidense. Um veterano das campanhas contra os franceses pelo Quebéc, Washington conhecia a importância estratégia das informações para a eficiente tomada de decisões. Já em 1777, no princípio da Revolução Americana, ele escrevia para seus minis- tros: “Cada detalhe deve ter lugar na coleta de informações... tudo depende de obter Inteligência”. Com uma extensiva rede de espi- ões infiltrados e um conhecimento do terreno profundamente su- perior ao do inimigo, Washington foi capaz de vencer o império britânico, mesmo com um número inferior de tropas e armamen- tos. A Inteligência estava nas raízes do novo Estado americano.
Na Europa, a era das revoluções se iniciava, com o final do século XVIII e o início do século XIX; com ela, o mito de Napoleão Bonaparte e seu gênio militar que prescindia da Inteligência. Na verdade, o coronel Hugues-Wilson desfaz esse mito, propagado por ninguém mesmo que o próprio Napoleão, desejoso de se van- gloriar por suas conquistas e de diminuir a importância crucial de seus colaboradores e informantes. Ofato é que Napoleão, em suas vitórias, sempre contou com um elaborado aparelho de Inteligên- cia militar, provendo-lhe informações acuradas, e fornecendo desinformação “valiosa” a seus inimigos. Quando lhe faltou essa Inteligência, ou quando confrontado contra uma estrutura superior a sua, como a do Duque de Wellington, o gênio militar de Napoleão não se mostrou tão genial assim, conforme se observou em Waterloo. Wellington, sem a arrogância de Bonaparte, não se fur- tou a afirmar: “Todo o negócio da guerra, de fato todo o negócio da vida, é tentar descobrir o que você sabe e o que você não sabe; é o que eu chamo de ‘adivinhar o que está do outro lado do morro’.”.
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Ao longo do século XIX, a atividade de Inteligência se espa- lhou por todas as partes do mundo. Ela se encontrava nas políci- as secretas dos grandes impérios absolutistas; na guerra civil ame- ricana; na corrida do neocolonialista das potências européias sobre as colônias na África e na Ásia. Encontrava-se, enfim, no delicado processo que levou à unificação do Estado alemão sob os auspícios de um dos grandes estadistas daquele século, Otto von Bismarck, e de seu chefe de Inteligência, Wilhelm Stieber, um homem sem escrúpulos, mas que dominou sua área de atua- ção durante sua época.
Com o início do século XX, o mundo entraria num período de mudanças drásticas e radicais em todos os setores que revolucio- nariam todas as áreas de atuação humana. No campo tecnológico, o advento da aviação e do rádio diminuiu drasticamente as distân- cias, provocando um primeiro impulso do fenômeno que hoje cha- mamos de globalização. Tais tecnologias provocaram mudanças sensíveis na atividade de Inteligência, o que seria percebido notadamente durante a Primeira Guerra Mundial. O uso do avião como instrumento de obtenção de informações, especialmente fo- tografias aéreas de reconhecimento, alavancou sobremaneira a Inteligência de imagens. Já o uso do rádio, embora facilitasse e aumentasse a rapidez das comunicações, também levantou a ques- tão da segurança das comunicações, alçando a antiga arte da criptografia a um patamar de relevância até então inédito no cená- rio estratégico mundial.
No âmbito social, a ascensão da doutrina política do Marxis- mo revolucionaria as massas em todas as partes do mundo. A emergência da União Soviética no cenário internacional após a Primeira Guerra significou uma nova era, simbolizada pelas legi- ões de agentes secretos que, de um lado, tentavam fomentar a revolução socialista e, de outro, tentavam impedir que os primei- ros obtivessem sucesso. O fato é que, desde 1918, os serviços de Inteligência do leste e do oeste estiveram em conflito, apenas in- terrompido (e apenas de maneira parcial) com o surgimento de um terceiro poder: o nazi-fascismo totalitário.
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A Segunda Guerra Mundial, que foi classificada como a pri- meira guerra total, também foi uma guerra de Inteligência total. Foi o primeiro conflito no qual a Inteligência tecnológica foi deci- siva para sua resolução. Nessa altura do livro, o coronel Hugues- Wilson nos brinda com vários relatos de casos reais ocorridos na Segunda Guerra, mostrando triunfos dos dois lados que ofere- cem lições valiosas para qualquer profissional da área de Inteli- gência. É, sem dúvida, um dos momentos mais interessantes de toda a obra.
A Guerra Fria, que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, foi a primeira guerra de Inteligência. Em plena era nuclear, se tornou muito perigoso para as superpotências partir para um confronto direto. Dessa forma, o confrontamento se deu na forma de esporá- dicas guerras indiretas, em países de terceiro mundo, e na forma do conflito direto entre as agências de Inteligência da União Sovi- ética, entre essas, a KGB, e a recém-criada Agência Central de Inteligência (CIA), o novo órgão de Inteligência dos Estados Uni- dos da América.
Repleto de casos de infiltrações, sabotagens, recrutamen- tos, o livro de Hugues-Wilson nos apresenta uma visão satisfatória do que representou a guerra de Inteligência dentro da Guerra Fria. Apesar da crescente importância dos meios técnicos e tecnológicos, percebe-se através de seu relato que o foco jamais deixou de ser o homem. Oficiais de Inteligência estiveram e estão no centro de qualquer serviço de Inteligência bemestruturado, e isso transparece nas lições contidas nas histórias desse período.
O livro avança até o século XXI, e não se furta de falar sobre o grande desafio da Inteligência dos dias atuais – o terrorismo. Relembrando que o terrorismo é tão velho quanto a própria guer- ra, e que desde sempre foi um método de os mais fracos lutarem contra os mais fortes, o autor se concentra no rápido desenvolvi- mento que o terrorismo obteve no século XX, notadamente a partir de indicações de que ele poderia ser uma ferramenta vitoriosa no novo cenário mundial: a campanha terrorista que levou o Exército
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Republicano Irlandês (IRA) a conquistar a independência da Irlanda, e a criação do Estado de Israel no esteio da campanha de terror dos grupos sionistas Irgun e Stern. Esses exemplos certamente não de- vem ter passado despercebidos pelos grupos terroristas jihadistas islâmicos da atualidade, que, liderados pela Al-Qaeda e pela figura de Osamabin Laden, introduziram umelemento radical e ainda mais perigoso nessa equação do terror: o atentado suicida.
Concluindo, ocoronel Hugues-Wilson retoma omote inicial, pois se, por um lado, pode-se considerar a atividade de Inteligência a profissão mais antiga da humanidade, ela também é a profissão do futuro. Oatual fluxo torrencial de informações, a vulnerabilidade dos sistemas digitais e a proliferação de grupos terroristas evidenciam a importância do oficial de Inteligência, enquanto analista e agente, para proteger a sociedade, em um momento em que ela provavel- mente sofre mais ameaças do que nunca. Essas pessoas, muitas vezes desconhecidas, estiveram ao longo da história por trás de reis, príncipes e imperadores, ditando seus movimentos tais como mes- tres de marionetes, personagens principais do espetáculo, sem, contudo, jamais serem vistos pela platéia. Agora, como antes, eles continuam a servir suas pátrias, escondidos do grande público, mas, mais do que nunca, imprescindíveis para a segurança e o progresso de suas nações.
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Caso Histórico
A VERDADE SOBRE MATA HARI
Margareth Gertrude Zelle era uma garota holandesa modesta, dotada daquele encanto precário que deixava os homens inquie- tos em sua presença. Do seu casamento infeliz com um oficial do Exército colonial holandês, destacado em Java, recolheu apenas uma vantagem: inicia-se no bailado oriental e adota o pseudônimo artístico MATA HARI - O OLHO DO DIA. Com essa duvidosa aqui- sição, pouco talento, mas muita ambição, volta à Europa convulsi- onada pela I Grande Guerra. Perambula por vários países - Fran- ça, Espanha, Inglaterra e Holanda – dando saraus beneficentes, sempre em companhia de oficiais. Essa mania pela farda, ser-lhe- ia fatal. A suspeita de que sob os véus de Mata Hari se escondia uma perigosíssima agente germânica começou firmar-se. Os inexplicáveis e certeiros afundamentos de navios aliados, bem como o fracasso de várias ofensivas francesas começam a ser vistos como conseqüência das atividades da enigmática dançarina. É presa com facilidade - andava à vista de todos - e processada, sem direito à defesa. A carreira de Mata Hari se encerra no Forte de Vicennes, na madrugada de 15 de outubro de 1917, diante de um pelotão de fuzilamento.
Aenorme notoriedade conquistada por Mata Hari não resistiu, porém, a umexame isento e desapaixonado.AHistória provou facil- mente a inconsistência das acusações levantadas contra ela. É que sua fama assentava-se simplesmente numtremendo equívoco: nem espiã, nemartista. Amalícia e o talento, indispensáveis a essas duas atividades, Margareth Zelle não os possuía. Era apenas uma mulher ambiciosa e, até certo ponto, ingênua, em busca da consideração
* Artigo publicado na Revista Coletânea L. Brasília: EsNI, ano II, n. 7, fev. 1978. p. 78-89.
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pública. Ao obtê-la, afinal, pagou um preço demasiadamente alto. Mesmo sem merecimento, Mata Hari conquistou umlugar na Histó- ria. Hoje, com certo constrangimento, as enciclopédias francesas estampam sua efígie, acompanhada de uma observação apressa- da que a define como dançarina de quem se suspeitava ter sido espiã a soldados dos alemães. Depois de Executada, os espanta- dos franceses constataram não existir nos arquivos alemães abso- lutamente nada sobre Mata Hari.
A despeito disso, a vida de Mata Hari possui uma invejável fortuna bibliográfica. O artigo que aqui se publica - A VERDADE SOBRE MATA HARI - é apenas um dos muitos documentos que, de forma isenta, procura reconstituir a verdade dos fatos. Mas, sua memória sobreviveu a todas essas pesquisas. A humana necessi- dade de mistérios assegurou-lhe a permanência como mito do nos- so tempo.
Comoacontece a todo personagem polêmico da História, tam- bém Mata Hari foi cercada por uma infinidade de lendas. É verda- de, contudo, que Margareth Gertrude Zelle chegou pela primeira vez a Paris em 1903, sem um tostão. Escolheu o Hotel Palace, para onde se dirigiu com suas cinco malas, uma das quais repleta de marrons glacês. Talvez, a primeira providência que tomou para escapar ao anonimato foi sua exclamação, ao entrar no hall do hotel, repleto de gente: “Então é isso que é Paris?” Não deve ter faltado quem julgasse estar ali mais uma das elegantes e dadivo- sas damas da dolce vita européia, ávidas de fama e dinheiro. E estaria certo.
Não podemos pensar na corrupção excitada da Belle Époque , em Caporetto e Verdum, no retrato dos avós enfim, sem incluí-lo também: Margareth Gertrude, nascida em 7 de agosto de 1876, em Leeuwarden, Holanda do Norte, com faces e aspirações rosa- das e a capacidade de fazer com que os homens pronunciassem frases insensatas. Foi realmente seu diretor, velho oficial reforma- do das Índias, quem afirmou: “Em Java, vi o retrato de uma moça
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bela como você, chamava-se Mata Hari, que quer dizer Olho do Dia”.
Tornou-se baronesa da seguinte forma: seu pai, chapeleiro, passou os melhores anos de sua vida em busca de antecedentes heráldicos e um dia, finalmente, arranjou um pergaminho que o tornava barão. Nessa esperança, tinha falido. Assim, Margareth, embora já há um ano se considerasse Mata Hari, foi obrigada a esfregar pisos e engomar roupas. Os pais estavam em Haia, uma cidade úmida, verde, agitada. E também repleta de oficiais em li- cença das colônias, especialistas em adolescentes.
Por um belo vestido, Margareth estava disposta a tudo, e começou a ler os anúncios matrimoniais no Het Niews can den Dag (Notícias do Dia) “Capitão das Índias, em férias, procura mu- lher adequada ao seu posto, de preferência com alguma fortuna. Campbell Mac Leod”. O solteirão era escocês e quarentão; o anúncio era uma brincadeira feita por amigos de bar. Rece- beu quinze cartas em resposta: venceu Margareth, porque mandara também uma fotografia.
Haia, Java, Paris
Casaram-se três meses depois do primeiro encontro. Ela es- tava grávida e totalmente encantada com o marido guerreiro, de partida para a ilha de Java. Na colônia, deu à luz o primeiro filho e, três anos mais tarde, nasceu-lhe uma menina que, segundo co- mentários da época, não era do marido.
Foram tempos difíceis aqueles, com alguns momentos real- mente trágicos. Além das constantes e raivosas brigas do casal, as duas crianças foram envenenadas pela babá malaia, como vin- gança contra o Capitão Mac Leod, que expulsara o seu noivo do Exército holandês. Somente a menina se salvou, após semanas de agonia.
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Finalmente, vem a separação. Aconturbada família retorna a Amsterdã e, dali, Mata Hari segue sozinha para Paris. A primeira providência é ingressar numa escola de dança e entabular amiza- de com o porteiro do hotel, que se incumbe de fornecer-lhe en- dereços de senhores ricos e apreciadores da beleza feminina oriental.
Num pequeno cabaré, o de madame Kireevsky, conhece o professor Guimet, diretor do Museu Oriental. Foi o primeiro a com- parar sua dança uma carícia, a um vôo de pomba e a repuxos de água; foi ele quem jurou que por trás de cada gesto de Mata Hari existiam segredos milenares. Amou-a como se ama a uma sacer- dotisa; ela decidida:”Serei sua concubina”.
Havia uma diferença entre ela e as cortesãs tradicionais, que escutam os amigos falarem de esposas gordas e negócios. Mata Hari queria falar, não escutar. O pai, aspirante a barão, os tios velhos, o marido idoso a haviam isolado na personagem da mu- lherzinha tagarela, tão divertida que distraía. Talvez estivesse ape- nas em busca de um bom psiquiatra.
De qualquer modo, para ela é um progresso. Mensagens enternecidas de Massenet e Puccini na estréia (estréia, e só) da DANÇADAPRINCESAE DAFLOR MÁGICAdo V ato da ARMIDA de Gluck. Aadministração do Odéon parisiense hoje recorda: “De- via dançar um bailado árabe em torno do fogo. O resultado do ensaio geral foi deplorável, desconcertante; conseguiu apenas dar alguns requebros com as cadeiras, de uma vulgaridade inaudita. Restituímos seu contrato e a substituímos”. Com o contrato em pedacinhos na bolsa, Mata Hari foi convidada pela princesa San Faustino ao palácio Barberini, onde retirou, um depois do outro, todos os véus de Salomé.
Mas é preciso viver
Mata Hari não vive mais emumhotel; alguém lhe ofertou uma vila emNeuilly e umcastelinho que pertencera à Pompadour; caval- ga todas as manhãs no Bois de Boulogne e, para tudo isso, contri-
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buem banqueiros e industriais. Ela, porém, sempre dará preferên- cia aos militares, àqueles que, na manhã seguinte, mandam seus ajudantes levar-lhe rosas.
Quando explode a guerra, tem 38 anos e sente nostalgia de casa. Volta à Holanda, onde o marido e a filha recusam-se a recebê- la. Mesmo assim, permanece durante dois anos.
Paris, que depois torna a encontrar, está debilitada, quase envergonhada por haver aplaudido seus trejeitos. As saias estão se encurtando, há um pouco de tornozelos à disposição de todos. Mata Hari, agora, nos bailes beneficentes, esconde abdômen e ancas numa girândola de véus.
Porém, ela consegue sempre viver à custa de oficiais: os ali- ados são um pouco como os oficiais de sua adolescência. “A se- nhora Mac Leod, uma grande artista holandesa, está autorizada a cumprir a sua meritória missão, que consiste em se prodigalizar em favor de nossos soldados”. Assim está escrito no salvo-condu- to que Mata Hari solicita para passar uma temporada em Vittel.
Ali, havia um aeroporto (em seguida bombardeado) e um hospital militar, onde se encontrou com o capitão russo Vadim de Massloff, atingido por uma descarga de metralhadora. “Amei ape- nas ele”, dirá mais tarde.
Apropósito da Inglaterra, Mata Hari é ali pouco apreciada; os puritanos sorriem de seu impolite erotismo. De Londres chegam as primeiras suspeitas: muito Vittel, muitos bombardeios, muitos passes. O capitão Ladoux, da contra-espionagem francesa, diz- lhe claramente: “Senhora, por acaso não estará passando infor- mação ao inimigo?”. E obscuramente: “Gostaria de fazê-lo para nós?” Mata Hari resplandece: Gosto de aventuras. Se quiserem, será para vocês.” Uma bela desforra sobre a Bella Otero e Sarah Bernhardt. “ A que preço?” “Um milhão de francos”. O capitão diz que aceita: mas não lhe confia uma única missão, não lhe dá um franco, continua apenas a observá-la, a fazer de modo que as sus- peitas recaiam sobre ela.
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Mata Hari se aborrece, e sente medo: “Dêem-me outro passe para a Holanda, por via marítima”; faz escala em Falmouth, ponta extrema de Cornualha: o casal Grant, da contra-espionagem, revista a cabina de Mata Hari; os dois juram que ela é um perigosíssimo agente secreto alemão, de nome Clara Benedix.
Margareth Zelle permanece durante uma semana à disposi- ção da Scotland Yard; e, já com olheiras e desesperada, confia a um jovem funcionário estar a serviço do capitão Ladoux, o qual nega indignado, e sugere que a mandem para longe, para a Espanha, por exemplo, que tanto lhe agrada. Em Madri, é corteja- da pelo adido naval germânico, Wilhelm Canaris, o homem que 26 anos mais tarde tentaria umapaz separada contra Hitler. De Canaris passa para Von Kelle, chefe da espionagem alemã. Ladoux es- quece tê-la repudiado e comunica-lhe: “Desejo o número dos sub- marinos alemães em Marrocos”. E Mata Hari consegue alguma coisa. Para os franceses. Enquanto os alemães a consideram “inteligente e preciosa para a causa”.
Disseram que os seus informes teriam ocasionado o afunda- mento de dezessete comboios aliados, com a conseqüente morte de milhares de soldados; o insucesso de três grandes ofensivas francesas; o torpedeamento do cruzador britânico Hampshire, e a malograda surpresa entre as fileiras alemãs pelo aparecimento dos primeiros carros blindados. Culpa de Mata Hari, a feroz H-21. Estamos em 1917; e fala-se apenas da boucherie, do mas- sacre de Verdum: dez meses de assédios e 1 milhão de mortos; ela procura ainda Vadim, mas acabou-se a hora da facilidade de passes; mandam-na de um guichê para outro, sem resultado e na manhã de 13 de fevereiro, o comissário Priolet entra em seu quar- to para prendê-la. Ele e quatro inspetores contra uma Mata Hari de 41 anos, apenas despertada, que absolutamente não desfaz as tranças nem os véus para seduzi-los.
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“A hora é grave”
Agora, é uma discreta senhora. Nos cárceres de Saint-Lazare não lhe faltavam, todavia, nem amor nem marrons-glacês: cuida- va disso o advogado Edouard Clonet, de 74 anos. O juiz instrutor Pierre Bouchardon a acusara formalmente de espionagem. Acu- mulam-se as provas (hoje desaparecidas; nos arquivos alemães nunca existiu um agente H-21).
Oprocesso de Margareth Gertrude Zelle durou umdia e meio, não tendo sido admitida nenhuma testemunha a seu favor. Vem a condenação à morte. Do dia da prisão ao de seu fuzilamento, três governos agitaram a França. Briand, Ribot, Painlevé. Até mesmo o Ministro do Interior Malvy foi acusado de traição pela Action française. “A hora é grave”, põe-se em movimento o pelotão de execução. Mata Hari tem uma crise apenas quando vê chorar o seu advogado de defesa, mas continua a esperar, a confiar em seus protetores.
Nenhum aparece. Os jornalistas escrevem que ela tinha a pretensão de tomar banhos de leite, com tantas crianças france- sas passando fome! Em 15 de outubro de 1917, às cinco da ma- nhã, informam-na de que o pedido de graça fora indeferido. Mata Hari vive bem este momento: chora, presenteia suas roupas às duas assistentes, veste um casaco cinzento, um véu violeta, sapa- tos quase novos e luvas mordoré. Não diz uma palavra no carro que a transporta ao forte de Vincennes. O pelotão de execução é formado por zuavos.
Umdeles, Gaston Roche, recorda: “O nosso oficial disse que queria voluntários para o fuzilamento. Apresentou-se um, mas so- mente porque lhe haviam dito que Mata Hari iria se desnudar dian- te do pelotão. Então o oficial disse que ele não iria fazer parte do grupo, e que não admitia vulgaridades”. Sempre se tratava de uma mulher, seja lá o que tivesse feito. Mas ninguém se oferecia, e então ele escolheu os homens: “Lembrem-se de que são volun- tários” – disse. “Aliás, nenhum de vocês saberá jamais se contri-
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buiu ou não para matar Mata Hari. Umdos fuzis está carregado com salvas. Poderá ser teu, ou o teu”.
Ninguém indicou a Mata Hari onde deveria colocar-se, mas ela não hesitou. Pôs-se no lugar exato, de frente para o pelotão. Um oficial adiantou-se com a venda negra nas mãos. Osolhos dela abri- ram-se, surpresos: “É mesmo necessário?” E foram suas últimas palavras. Cai sobre os joelhos lentamente, e depois fica prostrada, de lado...
Não teve funerais, ninguém se apresentou para reclamá-la. A autoridade militar, visto que ninguém a desejava, pôs seu corpo num furgão e remeteu-o para o hospital de Paris. Nos dois dias em que o cadáver de Mata Hari permaneceu no necrotério, sobre uma mesa, foi velado por dois gendarmes que fumavam cachimbo e passavam o tempo jogando cartas.
Entre os objetos pessoais de Mata Hari foram encontrados 14.251 francos e 65 centavos. Foram confiscados pelo Estado para pagar as despesas do processo. Não se sabe ainda o que aconte- ceu com seu corpo, se foi cremado, ou despedaçado num estudo de anatomia.
“A justiça foi feita” anunciaram praticamente todos os jornais aliados. Na Rússia, a revolução soviética vencera. O prussiano Von Belov estava para romper a frente italiana em Caporetto. Em Viena, Sigmund Freud, um professor austríaco, de família judia, escrevia livros estranhos, sustentando, por exemplo, que “um ato de Justiça é, sempre, um ato de temor”.
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neira pela qual os leitores encaram o futuro da economia mundial.
O IMPÉRIO DA INCOERÊNCIA: A NATUREZA DO PODER AMERICANO Autor: MANN, MICHAEL
Editora: RECORD, 2006
ISBN 8501072958
378 p.
Sociólogo, Michael Mann argumenta nesta obra que o novo imperialismo norte- americano é, atualmente, um ‘novo militarismo’, que terá conseqüências desas- trosas para os Estados Unidos e para o mundo. Ao dissecar dados sobre os recursos econômicos, políticos, militares e ideológicos acessíveis aos Estados Unidos, Mann expõe a assimetria e a desigualdade entrincheiradas na dinâmica de um‘império incoerente’, que cronifica a desordem mundial. Segundo Mann, a estratégia de Washington demonstra uma ‘esquizofrenia política’. Essa tendên- cia seria manifestada na cisão entre o multilateralismo e o unilateralismo, sobre- posta a uma efetiva falta de habilidade em administrar regiões estrangeiras ou controlar seus supostos Estados aliados ou colaboradores. Considera inconsis- tentes os fundamentos econômicos e ideológicos desta política externa, cuja estratégia é intervir empaíses frágeis do Terceiro Mundo, exercendo poder, mas não autoridade. O autor sustenta que os líderes norte-americanos colocam-se como condutores da economia global, mas não conseguem dominá-la, e impe-
lem países mais pobres a um impopular e improdutivo neoliberalismo.
REVISTABRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 2, n. 3, set. 2006. 119
OMUNDOÉ PLANO
Autor: FRIEDMAN,THOMAS L.
Editora: OBJETIVA, 2005
Quando, daqui a vinte anos, os historiadores se debruçarem sobre a história do mundo e chegarem ao capítulo ‘Ano 2000 a março de 2004’, que fatos destaca- rão como os mais importantes? Os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, em11 de setembro de 2001, e a Guerra do Iraque? Ou a convergên- cia de tecnologia e determinados acontecimentos que permitiu à Índia, China e tantos outros países ingressarem na cadeia global de fornecimento de serviços e produtos, deflagrando uma explosão de riqueza nas classes médias dos dois maiores países do mundo - e convertendo-os, assim, em grandes interessados no sucesso da globalização? Esta obra desmistifica esse admirável novo mun- do, permitindo ao leitor compreender o desnorteante cenário global que se descortina diante dos seus olhos. Com sua inigualável habilidade para traduzir complexos problemas econômicos e de política externa, Friedman explica como se deu o achatamento do mundo na aurora do século XXI; seu significado para países, empresas, comunidades e indivíduos; e como governos e sociedades podem e devem se adaptar.
O PODER AMERICANO E OS NOVOS MANDARINS
Autor: CHOMSKY, NOAM Editora: RECORD, 2006 ISBN 850107098X
460 p.
Aclamado pelo NewYork Times como o mais importante intelectual vivo, Chomsky é também o mais eloqüente pensador contemporâneo em campanha pela de- mocracia. Em vários sentidos, sintetizou a Nova Esquerda e sua aversão pelo imperialismo norte-americano. Considerado ‘um novo Rousseau’, ele analisa, em ‘O poder americano e os novos mandarins’, as contradições da Guerra do Vietnã. Os ensaios deste livro tiveram diferentes origens - uma conferência na Universidade de Nova York, artigos na hoje extinta revista radical Ramparts, ensaios da New York Review of Books. O que os une é o intransigente apego aos princípios igualitários, o implacável empenho de dissecar a crueldade impe- rial americana e uma devastadora crítica aos intelectuais americanos, os novos ‘mandarins’ que se mostraram subservientes, aberta ou sutilmente, aos governantes da sociedade.
120 REVISTABRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 2, n. 3, set. 2006.
RELATÓRIODACIA:COMOSERÁOMUNDOEM 2020
Autor: BARBEIRO, HERODOTO
Organizador: CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY
Editora: EDIOURO, 2006
ISBN 8500017058
239 p.
‘O Relatório da CIA - Como será o mundo em 2020’ delineia as forças que irão moldar e construir o futuro. Superpotências se defrontarão não com a guerra convencional, mas sim em batalhas ferrenhas por tecnologia, mercado, armas de destruição em massa, corrida espacial e biotecnologia. Em busca da supre- macia. Economia, demanda energética, criminalidade, combustíveis, meio am- biente, mudança climática e terrorismo são abordados de forma inteligente, arti- culada e sutil. Um trabalho profundo e embasado em um aparato estatístico abrangente, produzindo umrelatório completo com prognósticos e especulações. Conferências nos cinco continentes foram realizadas pelo National Intelligence Council dos EUA - mobilizando peritos em todo o mundo para a elaboração do livro. A obra conta com o prefácio de Demétrio Magnoli, articulista da Folha de São Paulo e especialista em Geopolítica; com a introdução de Heródoto Barbei- ro, ancora da CBN e do Jornal da Cultura além do pósfacio de Alexandre Adler, um dos mais renomados jornalistas franceses da atualidade. Temas abordados - A revolução tecnológica; O produto interno bruto da Ásia superando o ociden- tal; Cenário de ficção - o mundo de acordo com Davos; Uma economia em vias de expansão e integração; Potências emergentes - uma paisagem geopolítica em mutação; Aascensão da Ásia - China, Índia, Japão e tigres asiáticos; Paises emergentes - Brasil, Rússia etc; A demanda energética; Estados Unidos como potência hegemônica - quanto vai durar?; Insegurança onipresente; A intensifi- cação dos conflitos internos; O terrorismo; Armas de destruição em massa; Um novo Califado; Crescimento do produto interno bruto da China e Índia em relação ao EUA; A população do planeta em 2020; Combustíveis fósseis em 2020; A união européia; Biotecnologia - arma e panacéia; As religiões; O status da mu- lher em 2020; Índia contra a China; A Europa pode se tornar uma super potên- cia?; As mudanças do clima; O crime organizado; A América latina em 2020; Uma guerra cibernética; A excelência tecnológica americana está em perigo?; As instituições internacionais em crise; As leis da guerra.
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SINDICATODOCRIME,OPCCEOUTROS GRUPOS
Percival De Souza
ISBN: 8500020830 Editora: EDIOURO, 2006 256 p.
Este livro é o resultado de uma minuciosa investigação para se descobrir o que na prática quer dizer crime organizado, o que está por trás do PCC e o que isso pode significar para sua vida. Da região de fronteira às grandes cidades, pas- sando por diversos tipos de presídios e pelos ataques realizados em São Paulo, a organização do crime tem origem, motivações, comando e militantes. Alimenta ódios,possui nomes,rostos e personagens. Histórias tão reais que parecem fic- ção. O livro documenta, prova, entrevista, denuncia, exibe, revela, traz à tona o que muitos pretendiam que ficasse encoberto. Segredos guardados durante muito tempo estão expostos em ‘O Sindicato do Crime’.
Em outras línguas:
FIASCO - AMERICAN MILITARY ADVENTURE IN IRAQ
Autor: RICKS, THOMAS Editora: PENGUIN USA, 2006 ISBN 159420103X
282 p.
TheAmerican military is a tightly sealed community, and few outsiders have reason to know that a great many senior officers view the Iraq war with incredulity and dismay. But many officers have shared their anger with renowned military reporter Thomas E. Ricks, and in ‘Fiasco’, Ricks combines these astonishing on-the-record military accounts with his own extraordinary on-the-ground reportage to create a spellbinding account of an epic disaster. As many in the military publicly acknowledge here for the first time, the guerrilla insurgency that exploded several months after Saddam’s fall was not foreordained. In fact, to a shocking degree, it was created by the folly of the war’s architects. But the officers who did raise their voices against the miscalculations, shortsightedness, and general failure of the war effort were generally crushed, their careers often ended. A willful blindness gripped political and military leaders, and dissent was not tolerated.
122 REVISTABRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 2, n. 3, set. 2006.
SERVICIOSDEINTELIGENCIA,FUERADELA LEY?
Autor: RUEDA, FERNANDO Editora: EDICIONESB, 2006 ISBN 846662418X
Oscuridad, silencio, persecuciones, escuchas, asesinatos…, un mundo cinema- tográfico y literario apasionante que ha nacido bajo el manto del espionaje. Pero ¿qué es en realidad un espía? ¿Qué funciones tiene? ¿A qué se dedica? De nuevo la opacidad es la respuesta. Nada se sabe, nada se cuenta.
La información es poder y la información procesada, inteligencia. La inteligencia permite al poder tomar decisiones desde un conocimiento profundo y razonado de los hechos.
Pero surgen las siguientes preguntas: ¿Quién hace inteligencia en España? ¿Bajo el mando de quién? ¿Hasta dónde llegan sus misiones y poderes? ¿Cómo están organizados los servicios? ¿Cómo se les controla?
Este libro intenta desmenuzar todas estas incógnitas convirtiéndose en la primera historia que se hace de los servicios de información e inteligencia españoles: desde la guerra civil hasta el 11-M y los últimos incidentes de Irak y País Vasco, pasando por el franquismo, el 23-F o la guerra sucia contra ETA. El profesor Antonio M. Díaz se remonta a la época de los Reyes Católicos y sigue la trayectoria del espionaje a lo largo de los siglos para analizar la evolución de los servicios de inteligencia en España. Una investigación que ha llevado a cabo a través de documentos desclasificados que ven la luz por primera vez, y más de doscientas entrevistas con políticos, estudiosos y personas del entorno de La Casa o que tuvieron que ver con los servicios del franquismo, de la transición y de la demo- cracia. Asimismo establece un estudio comparado con los servicios de inteligencia de los principales países del mundo, desde Israel a Estados Unidos, pasando por Suecia y Nueva Zelanda.
En suma, un recorrido ameno y accesible a todos los públicos, salpicado de anécdotas, en el que el autor da la máxima transparencia a todos los recovecos, entresijos y complejidades que rodean el secreto, los espías y los servicios de inteligencia en la España y en el mundo de nuestros días.
http://www.agapea.com/Los-servicios-de-inteligencia-espanoles-n215714i.htm
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THEWAROFTHEWORLD:HISTORY’SAGEOFHATRED 1914-1989 Autor: FERGUSON, NIALL
Editora:PENGUINUK, 2006
ISBN 0713997087
The world at the beginning of the 20th century seemed for most of its inhabitants stable and relatively benign. Globalizing, booming economies married to technological breakthroughs seemed to promise a better world for most people. Instead, the 20th century proved to be overwhelmingly the most violent, frightening and brutalized in history with fanatical, often genocidal warfare engulfing most societies between the outbreak of the First World War and the end of the Cold War. What went wrong? How did we do this to ourselves? ‘The war of the world’ comes up with the answers to these questions.
* Os resumos dos livros foram retirados do site da Livraria Cultura: www .cultura.com.br, exceto o livro Servicios de inteligencia, fuera de la ley? de Fernando Rueda.
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Cartas do Leitor
Dirijo-me a vossa Senhoria com o objetivo de expressar manifesto por no- tória iniciativa desta Agência Brasileira de Inteligência – ABIN, através da Coordenadoria da Comissão Editorial da Revista Brasileira de Inteligência como importante veículo técnico de comunicação e agradecer pelo envio de um exem- plar a este Centro de Altos Estudos, pelo que em data oportuna estaremos con- tribuindo como este veículo de comunicação.
Márcio César Dantas Pereira – MAJ QOBM/Comb Comandante do Centro de Altos Estudos de Comando, Direção e
Estado-Maior-CAECDEM
Agradeço a V.Sa. o envio da Revista Brasileira de Inteligência e apresento cum- primentos pela iniciativa de editar esse importante veículo de divulgação do pen- samento de inteligência.
Louis Jackson Josuá Costa - Brigadeiro-do-Ar Chefe do Centro de Inteligência da Aeronáutica –CIAER
Em atenção ao recebimento da publicação Revista Brasileira de Inteligência, enviada a esta Diretoria de ensino, dirijo-me a V. Sª no sentido de agradecer por tal iniciativa, informando que disponibilizamos o material para a biblioteca dos cursos de oficiais desta corporação, onde certamente será de grande valia para subsidiar estudos e motivar o desenvolvimento de pesquisas no tema.
Na oportunidade manifestamos o interesse em continuar recebendo a publica- ção para composição do nosso acervo.
Osvaldo Nunes de Freitas – Cel. Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal - QOBM/Comb. Diretor de Ensino e Instrução
Agradeço a gentileza da remessa da Revista Brasileira de Inteligência, com os meus cumprimentos pela iniciativa da publicação, que certamente contribuirá para o debate e a difusão dos temas peculiares à atividade de Inteligência.
Rubem Peixoto Alexandre - Gen. Div. Diretor do Departametno de Inteligência Estratégica-DIE Ministério da Defesa-MD
REVISTABRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 2, n. 3, set. 2006. 125
Agradeço a Vossa Senhoria a gentileza pelo envio da Revista Brasileira de Inteligência, contendo informações de grande valia para a conscientização sobre os trabalhos desenvolvidos na área de inteligên- cia.
Faço propícia a oportunidade para expressar os meus sentimentos de especial consideração e apreço.
Odil Martuchelli Ferreira - Brigadeiro-do-Ar Subchefe de Inteligência do Estado-Maior de Defesa Ministério da Defesa
Agradeço a gentileza da remessa do exemplar da Revista Brasileira de Inteligência e cumprimento essa Comissão Editorial pela abordagem das questões de interesse, desenvolvidas no universo das atividades de Inteli- gência, formulando, por meio deste, votos de sucesso e pleno êxito.
Uéliton José Montezano Vaz - Gen Bda 2º Subchefe do Estado-Maior do Exército Ministério da Defesa
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Normas Editoriais
A Revista Brasileira de Inteligência é uma publicação da Agência Brasileira de Inteligência que tem como principais objetivos: divulgar a atividade de Inteligência; pro- mover a difusão e o debate de idéias acerca de temas relacionados com a atividade de Inteligência; servir como veículo para promoção da cultura dessa atividade de Estado destinada a assessorar o processo decisório nacional.
A Revista Brasileira de Inteligência aceitará a participação de colaboradores, in- ternos e externos, por meio da inserção de artigos que atendam aos objetivos acima fixados e às seguintes regras:
1 Tipos de colaboração aceitos
Trabalhos relacionados com a atividade de Inteligência que se enquadrem nas seguintes modalidades:
1.1 Ensaio: composição em que o autor expressa, mediante a organização de dados, informações e idéias, sua visão crítica e analítica sobre determinada questão;
1.2 Crônica: texto redigido de forma livre e pessoal, que tem como temas fatos ou idéias da atualidade ou da vida cotidiana;
1.3 Conto: narrativa concisa, que contém unidade dramática e cuja ação con- centra-se num único ponto de interesse;
1.4 Anedota: relato sucinto de fato jocoso ou de particularidade engraçada de figura histórica ou lendária;
1.5 Lenda: narração em que fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética;
1.6 Mito: narrativa de significado simbólico, sem correspondente na realidade, geralmente enfocando a origem de determinado fenômeno, instituição, etc., transmitida de geração em geração e considerada verdadeira por um grupo;
1.7 Entrevista: texto reproduzindo diálogo do autor com pessoa(s) de notório saber ou reconhecida competência, no caso específico, em área de interesse da ativida- de de Inteligência;
1.8 Resenha: revisão crítica de texto relevante;
1.9 Resumo: apresentação, concisa e de forma isenta (sem emissão de juízos de valor), do conteúdo de artigo, livro, filme, tese, dissertação e outros documentos;
1.10 Informativo: apresentação de notícias e eventos, no caso específico, de interesse da Atividade de Inteligência;
REVISTABRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 2, n. 3, set. 2006. 127
1.11 Carta: manifestação de impressão, opinião, sugestão ou crítica relativas a matérias publicadas na Revista;
1.12 História em quadrinhos: narração, baseada em fato ou ficção, feita por meio de desenhos e legendas dispostos em pequenos quadros; e
1.13 Charge: representação pictórica, de caráter burlesco e caricatural, em que se satiriza um fato específico, em geral de caráter político e de conhecimento público.
2 Envio de colaboração
2.1 As matérias devem ser enviadas para o endereço eletrônico revista@abin.gov.br, via Internet ou Intranet Abin, acompanhadas da Ficha de Identifica- ção do Autor (Anexo I) preenchida.
2.2 Solicita-se Declaração de Responsabilidade (de conformidade com o Anexo II), que, após preenchida e assinada, deve ser encaminhada para o seguinte endereço: Comissão Editorial da Revista Brasileira de Inteligência
SPO, Área 5, Quadra 1, Bloco K
Brasília – DF – Brasil
CEP: 70.610-200.
2.3 Textos para apreciação devem consistir de no máximo 10 laudas e estar acom- panhados de resumo informativo de até cinco linhas, ambos redigidos no formato Word (ver item 5).
2.4 Textos nos idiomas inglês e espanhol também serão aceitos.
3 Procedimentos da Comissão Editorial
3.1 Aseleção de artigos e a definição quanto à conveniência e à oportunidade de publicação competem à Comissão Editorial da Revista.
3.2 Durante o processo de avaliação, a Comissão Editorial assegura o anonima- to dos autores e dos avaliadores, permitindo a estes últimos liberdade para julgamentos e avaliações.
3.3 Em sua avaliação, a Comissão considerará aspectos éticos e relativos a con- teúdo e apresentação da matéria. Ela poderá: aceitar integralmente o trabalho (sem necessidade de reparos de conteúdo); aceitá-lo em parte, propondo alterações, corre- ções ou complementação no conteúdo; ou recusá-lo.
3.4 Correção gramatical do trabalho poderá ser feita independentemente de con- sulta ao autor.
3.5 Os trabalhos selecionados pela Comissão Editorial serão enviados para aprovação do Conselho Editorial da Abin, que poderá fazer uso de consultores ad hoc , a seu critério.
128 REVISTABRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 2, n. 3, set. 2006.
3.6 Os autores serão notificados da aceitação parcial ou total ou da recusa de sua contribuição.
4 Outras informações
4.1 As matérias, mesmo que não publicadas, não serão devolvidas aos autores. 4.2 A Revista não remunera pelas colaborações.
4.3 Cada autor receberá dois exemplares do número da revista em que sua ma- téria for publicada.
4.4 Todos os direitos sobre a Revista são reservados e protegidos pela lei de direitos autorais.
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4.6 A publicação, em outros meios de comunicação ou obras literárias, de arti- gos da Revista, bem como de partes de textos que excedam 500 palavras e de tabelas, figuras, desenhos ou ilustrações, está condicionada à autorização expressa da Abin. 4.7 A reprodução total ou parcial de artigos da revista é permitida, desde que
citada a fonte.
4.8 A citação dos artigos, em outras obras ou qualquer outro meio de comunica- ção, é permitida desde que citada a fonte.
4.9 Artigos enviados à Revista que contiverem partes extraídas de outras publi- cações deverão obedecer às normas relativas a direitos autorais, para garantir a origina- lidade do trabalho.
4.10 Recomenda-se evitar reprodução de figuras, tabelas, desenhos ou ilustra- ções copiados de outras publicações. Caso não seja possível, é necessário citar a fonte do trabalho original.
5 Forma de apresentação dos textos
5.1 Os trabalhos deverão seguir os critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os quais, durante a editoração, serão adaptados ao projeto e formato editorial da Revista.
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5.2 Formatação:
I T E M
E S P E C I F I C A Ç Ã O
Formato do papel A4 (210 mm x 297 mm)
Fonte
Arial
Título e subtítulo: 14, caixa baixa, negrito, justificado à esquerda Título das subdivisões: 12, caixa baixa, negrito, justificado à esquerda
Tamanho Texto: 12
Nota de rodapé e citação bibliográfica: 10
Estilo
Normal
Superior: 2,0 cm Inferior: 2,0 cm
Margem
Direita: 2,0 cm Esquerda: 2,5 cm
Espaçamento De 1,5 entre linhas; espaço simples nos textos de citação.
Parágrafo Recuo de 2 cm.
Abreviatura
Ao ser inserida no texto pela primeira vez, deverá estar entre parênteses e precedida de seu significado por extenso.
Quando for composta de mais de três letras e pronunciada como palavra (acrônimo), apenas a inicial deverá ser maiúscula.
Exemplos:
Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF);
Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Palavra estrangeira
Grafar em itálico.
Exemplo:
ad doc
Nomes de agências, entidade e organismos devem ser traduzidos ou adaptados para o português (em fonte normal), seguidos da sigla original, entre parênteses.
Exemplo:
Agência Central de Inteligência (CIA).
Referência bibliográfica
Observar a NBR 6023/2002 da ABNT.
Apresentar referência completa em lista ao final do texto.
Exemplos de referência:
GROTIUS, Hugo. O direito da guerra e da paz. Ijuí: Unijuí, 2004.
LAFOUASSE, Fabien. L´espionage em droit international. In: Annuaire française de droit international. Paris: CNRS, 2001. v. 57, p. 63-136.
BAKER, Christopher D. Tolerance of international espionage: a functional approach. Disponível em: <http://inteldump.powerblogs.com/ files/espionage.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2005.
BRASIL. Lei n.° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo,
Brasília, DF, 23 dez. 1996. Seção 1, p.28.
130 REVISTABRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 2, n. 3, set. 2006.
I T E M E S P E C I F I C A Ç Ã O
Citação
Observar a NBR 10520/2002 da ABNT.
Citação é a menção, no texto, de informação extraída de outra fonte. Pode ser:
• Citação direta – transcrição textual literal de parte da obra do autor consultado. A citação no texto, se ocupar até 3 linhas, deve ser transcrita entre aspas duplas, incorporada ao parágrafo.; se ocupar mais de 3 linhas, deve ser apresentada em parágrafo isolado, com recuo de 4 cm, sem aspas, e letras tamanho 10. Incluir o sobrenome do autor, data, volume, página da fonte consultada.
Exemplos:
“A morte é a fronteira da liberdade. Ela não é o alvo da vida, mas o seu ponto final.” (GIANNETTI, 2005, p.61)
Paoli e Almeida (1996, p.190) chamam a atenção para a presença desses segmentos no espaço da cidade, a partir das soluções que encontram em sua ocupação.
[...] O próprio espaço urbano se redesenha: antigos bairros são reinventados em sua ocupação, as ruas se enchem de ambulantes, mendigos, vendedores itinerantes, pequenos golpistas, crianças de rua, todos com estratégias próprias de sobreviver que incluem um conhecimento sofisticado dos próprios recursos técnicos da cidade.
• Citação indireta ou livre – O autor reproduz com suas próprias palavras o pensamento de, outrem, não necessitando de aspas. A citação de páginas é opcional.
Exemplos:
Tal é a visão política de Toni Negri (1993) ao considerar – como estratégia de novas realizações – o poder constituinte.
Este processo é cíclico e deve ser realimentado constantemente (CHOO, 1998).
Nota de rodapé
Observar a NBR 10520/2002 da ABNT.
Destina-se a prestar esclarecimentos ou tecer considerações, que não devem ser incluídas no texto, para não interromper a seqüência lógica da leitura.
A nota deve aparecer na mesma página em que ocorre a chamada numérica no texto. A numeração deve ser única e consecutiva para cada capítulo ou parte. Ela deve ser separada do texto por um traço de 3 cm. Utilize letra tamanho 10.
A nota de rodapé pode ser de referência ou explicativa. Pode ser usada para:
• Indicar a fonte de uma citação, ou seja, uma obra da qual se extraiu uma frase, ou da qual se utilizou uma idéia ou informação;
• Fornecer a tradução de uma citação ou sua versão original;
• Fazer observações e comentários adicionais;
• Indicar trabalhos apresentados em eventos, mas não publicados;
• Indicar dados obtidos por meio de contatos informais.
A primeira nota de referência deve ser na íntegra. As subseqüentes citações da mesma obra podem ser referenciadas de forma abreviada, utilizando as expressões: idem (mesmo autor), ibidem (na mesma obra), apud (citado por) e outros
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