iraniana. O grupo raramente reivindica para si atos terroristas es- pecíficos, mas sim para seus codinomes, tais como Jihad Islâmica, Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina, Organização dos Oprimidos sobre a Terra, Organização da Justiça Revolucionária.
O Hizballah mantém relações externas, notadamente, com o Irã e a Síria, de quem recebe apoio político, militar, econômico e civil. Além das relações externas, mantém contatos com outros grupos radicais islâmicos fora do Líbano, como o Hamas, na Palestina.
O grupo foi muito atuante no início da década de 1980, tendo atingido seu ápice no período de 1984 a 1989. Em seguida, limitou suas ações e concentrou suas forças no combate aos israelenses no sul do Líbano.
OHizballah mantém células em várias partes do mundo, com ampla infra-estrutura no Oriente Médio, na África Ocidental e na Europa. Devido à existência de expressiva colônia na América Latina, pode dispor de eventual apoio neste continente. Em razão das inúmeras ações terroristas desenvolvidas pelo Hizballah, no curto período de sua existência, além de outros eventos descober- tos antes de sua execução, fica patente a capacidade de organiza- ção e mobilização de suas células.
Internamente, o Hizballah está empenhado em remover do Líbano a influência dos Estados Unidos da América (EUA) e da França, combater a atuação política dos cristãos e neutralizar de- finitivamente a interferência israelense nos assuntos internos liba- neses. Outros objetivos são estabelecer um Estado islâmico no país e encontrar uma solução consensual para os problemas re- sultantes da pluralidade religiosa nacional.
A população libanesa de, aproximadamente, 4,5 milhões de habitantes é bastante fragmentada emtermos religiosos, com 38% de cristãos (26% de católicos maronitas e 12% de ortodoxos) e 62% de muçulmanos (34% xiitas, 21% sunitas e 7% drusos). Esse
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mosaico cria várias dificuldades à governabilidade do país e a sua própria estabilidade institucional.
Com a aquiescência do governo libanês, o Hizballah, desde seu surgimento, não apenas se consolidou no sul do país como também se fortaleceu com armas e munições vindas da Síria e do Irã. Pelo menos um terço da população libanesa é xiita e se iden- tifica com o grupo, e parte dos dois terços restantes passou a apoi- ar a milícia após os ataques israelenses de 2006. As atividades do Hizballah concentram-se em três frentes: política, assistência so- cial e resistência armada.
A participação do partido na política libanesa é ativa. No ano de 1992, em sua primeira disputa por vagas nas eleições libane- sas, conquistou 12 das 128 cadeiras no Parlamento. Em 1996, foram dez assentos e em 2000, oito. Nas eleições gerais de 2005, das seis cadeiras que ainda possuía, o Partido de Deus passou a um total de 25 e, após uma aliança com o grupo xiita Amal, que conquistou dez outras cadeiras, o Hizballah passou a contar com 35 deputados no Parlamento Libanês.
O trabalho social realizado pela organização abrange não apenas os xiitas, mas também sunitas e cristãos libaneses. Essas atividades filantrópicas visam a obter o apoio da população muçul- mana, com destaque para a administração de hospitais e escolas; financiamento de pensões às famílias de mártires2 e atividades de reconstrução do Líbano após os ataques de Israel.
Não obstante a atuação política e social, o Hizballah conti- nua sendo uma força de resistência à intrusão de tropas israelen- ses no sul do Líbano. Apesar da retirada de Israel dessa região, ocorrida em maio de 2000, Tel Aviv ainda mantém ocupada uma área de aproximadamente 25 km² denominada Fazendas de Shebaa. Confrontos nessa região entre as forças israelenses e militantes do Hizballah são freqüentes.
2 Mártir é o muçulmano que entrega sua vida na luta pela disseminação do Islã, não importando a maneira como essa morte possa vir a ocorrer.
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O último confronto ocorreu em julho de 2006, quando um comando do grupo libanês seqüestrou dois soldados israelenses, desencadeando uma operação de resgate e retaliação. A ofensiva israelense baseou-se no argumento de que o Líbano descumprira os dispositivos da Resolução nº 1.559 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que determina o desmantelamento e desar- mamento do Hizballah e o estabelecimento do exército regular li- banês na fronteira.
O governo israelense explicou que as ações militares não visavam ao governo ou à população libaneses, mas sim ao Hizballah, que estava infiltrado no sul do território do Líbano, de onde atacava seu país. Desde a retirada das tropas israelenses daquele local, o exército libanês nunca ocupou efetivamente a re- gião, deixando umvácuo de poder que fora ocupado pelo Hizballah.
Desde agosto de 2006, um frágil cessar-fogo entre Israel e o Hizballah vem sendo mantido. A Organização das Nações Unidas (ONU) já iniciou o envio de força de paz, porém é improvável que esta se arrisque para desarmar a milícia xiita, embora seja esse o propósito da missão.
O Hizballah é considerado terrorista por Israel, pelos EUA, pelo Canadá, alguns países da Europa e pelo Parlamento Europeu. Numerosas ações violentas contra alvos estadunidenses e israe- lenses são atribuídas ao grupo, tais como os ataques contra a Em- baixada dos EUA e o acampamento do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA em Beirute (outubro de 1983); o ataque ao anexo da em- baixada americana em Beirute (setembro de 1984); os seqüestros de 17 estadunidenses e outros ocidentais (1984 a 1988) e do vôo 847 da TWA(1985); os atentados à Embaixada de Israel na Argen- tina (1992) e à Associação Mutual Israelita Argentina (1994).
Atualmente, após o confronto entre o Hizballah e Israel, este país se encontra em situação mais delicada que a anterior aos bombardeios de julho de 2006. Primeiramente, porque o grupo xiita libanês sobreviveu a essa guerra e, por isso, passou a ser considerado vitorioso, angariando mais adeptos e recursos para
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suas ações, que podem retornar com mais força no futuro. Em segundo lugar, a existência de Israel, um país com seis milhões de habitantes, cercado por 350 milhões de muçulmanos, sempre de- pendeu da crença na invencibilidade de suas forças de defesa. Esse mito foi derrubado, pois o objetivo inicial de “eliminar o Hizballah” não foi atingido, podendo encorajar outros grupos e até exércitos de países muçulmanos a umfuturo embate contra o país.
O governo libanês enfrenta, no momento, uma difícil escolha, pois, se não encontrar uma forma de desarmar o Hizballah, pode se tornar alvo de outras ações militares israelenses e de isolamento internacional. Se confrontar o Hizballah e tentar tirar suas armas, arrisca rachar o governo recém-formado e gerar nova guerra civil.
Devido à determinação das partes, mesmo que Israel retire seus soldados da pequena faixa de terra conhecida por Fazendas de Shebaa, área reclamada pelo Hizballah, este continuará pro- vendo ajuda a grupos palestinos. Desta feita, mantém sua carac- terística de movimento de resistência, arrastando este tipo de guerra por anos.
Referências:
BYERS, Ann. Lebanon´s Hezbollah: inside the world´s most infamous terrorist organizations. New York, NY: Rosen Publishing Group, 2002.
COUNCIL ON FOREIGN RELATIONS. Hezbollah (a.k.a. Hizbollah, Hizbu’llah). New York, NY, Jul. 17, 2006. Disponível em: <www.cfr.org/publication/9155/>
GLOBAL SECURITY.ORG. Washington, DC. Disponível em: < www.globalsecurity.org/ military/world/para/hizballah.htm>
ISLAMIC resistance: Lebanon. Disponível em: <http://www.moqawama.org/english/ index.php>

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Você sabia?
Que há um programa para divulgar a Abin?
O Programa Conhecendo a Abin tem como objetivo apresentar às gerações futuras o que é a Abin e como ela trabalha visando a conscientizar e a valorizar a atividade de Inteligência junto aos jovens e buscando despertar o interesse pela carreira de Inteligência. Os Programas “Escola Visita a Abin”, destinado às crianças e estudantes de ensino fundamental e médio, e “Universidade Encontra a Abin”, destinado aos estudantes do ensino superior, apresentam, anualmente, a centenas de jovens brasileiros, o papel do órgão responsável pela coordenação da atividade de Inteligência no Brasil. Contatos por meio de: acom@abin.gov.br
Que em 7 de dezembro de 2006, a Abin inaugurou, em Brasília, o Museu da Inteligência? Do acervo do Museu constam objetos e documentos relativos aos cinco períodos históricos da atividade de Inteligência no Brasil que, em 2007, está completando 80 anos de atuação. Além das peças em exposição, há banners, painéis e exibições áudio-visuais sobre a atividade de Inteligência.
Visitas guiadas ao Museu de Inteligência podem ser agendadas pelo telefone (61) 3445-8549 ou pelo e-mail museudainteligencia@abin.gov.br.
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USO DA INTERNET POR GRUPOS EXTREMISTAS
Cmt. Int. Rômulo Baptista de Souza Abin
A rede mundial de computadores possui características que podem torná-la espaço ideal para diversas atividades, inclusive suspeitas e ilícitas, tendo em vista a facilidade de acesso, a veloci- dade de transmissão de dados, a regulamentação legal deficiente, dentre outros pontos. Os usuários utilizam-se de salas de bate- papo, grupos de discussão, correio eletrônico, ambientes que pos- sibilitam, além de outras facilidades, a comunicação no anonimato e a utilização de identidade falsa.
Nos últimos anos, vem-se observando incremento da utiliza- ção da internet por grupos extremistas, o que resulta num aumen- to do número de websites que possuem algum vínculo com essas organizações, os quais podem estar disponíveis no idioma do país de origem e no idioma de domínio da comunidade internacional, a língua inglesa.
Todavia, o conteúdo textual e visual do site para ambos os públicos não necessariamente é o mesmo. No idioma do país de origem, por exemplo, as imagens e o texto podem passar a idéia de alta capacidade operacional de um grupo extremista. No idio- ma dirigido à comunidade internacional, a organização pode enfatizar a necessidade de uma política de diálogo com autorida- des do governo, rejeitando o uso da violência.
Essa estratégia de criação de websites direcionados a públi- cos específicos tem sido desenvolvida por integrantes de organi- zações como os Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE), do Sri Lanka, que podem divulgar conteúdos em cingalês, por exem- plo, transmitindo a informação com uma idéia de força, enquanto o site em língua inglesa pode divulgar a importância da negociação e da busca do diálogo para a solução política.
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Por serem divulgados emidiomas de difícil compreensão para o mundo ocidental, as homepages tornam-se ambiente virtual per- feito para que grupos extremistas encontrem refúgio e propaguem seu ideário, superando, inclusive, os limites da censura.
A Al-Qaeda, por exemplo, não é mais uma organização fe- chada. Como uso da internet, o grupo liderado pelo saudita Osama bin Laden passou a conectar-se virtualmente com outras organi- zações dedicadas à denominada jihad (“guerra santa”) global, ga- rantindo êxito na divulgação de sua ideologia e na realização de recrutamento, sem a necessidade de seus militantes se exporem geograficamente e, assim, terem seus objetivos monitorados e frus- trados por autoridades governamentais.
Da propaganda ao treinamento de militantes, a rede mundial de computadores possibilita àquela organização, por exemplo, desenvolver atividades e transmitir orientações e conhecimentos que eram exeqüíveis somente se os recrutados estivessem fisica- mente em campos de treinamento terroristas.
Nesse sentido, há dois anos aproximadamente, a Al-Qaeda divulgou anúncios na internet visando a recrutar pessoas que pos- suíssem experiência em elaborar textos e realizar a cobertura, a produção e a edição de vídeos visando a mostrar os locais onde militantes de grupos extremistas estivessem atuando, a exemplo do Iraque e da Chechênia. A partir do interesse manifestado por esses potenciais “candidatos”, eles eram contatados por integran- tes da organização via e-mail .
Até 1998, havia perto de uma dúzia de sites que divulgavam conteúdo de cunho extremista na internet. Todavia, após os atenta- dos ocorridos em Nova York e Washington, nos Estados Unidos da América, em 11 de setembro de 2001, esse número aumentou sig- nificativamente. Organizações consideradas terroristas pelo gover- no estadunidense (aproximadamente 40) mantêm perto de 4 mil sites na web. Segundo o professor Gabriel Weimann, da Universi- dade de Haifa/Israel, autor do livro “Terror na Internet”, existem pági- nas destinadas a integrantes da da Al-Qaeda, a potenciais simpati- zantes, a inimigos da “causa” e à opinião pública em geral.
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Orientações diversas são passadas a interessados, median- te divulgação de manuais para se produzir, por exemplo, agentes químicos e biológicos, explosivos e venenos, e se montar e des- montar, entre outros, o fuzil de assalto AK-47, utilizado por militan- tes de organizações radicais. Além disso, em alguns sites, há, in- clusive, histórico e missão do grupo e comércio de variados produ- tos (bottons, camisetas, canetas).
A internet tornou-se, pois, importante ferramenta tecnológica para grupos extremistas tendo em vista que o mundo virtual propi- cia um ambiente seguro para estes.
Entretanto, não se pode determinar, ainda, a capacidade real da rede de computadores para, entre outras ações, promover um processo de radicalização de indivíduos que participam dessa co- munidade virtual e de interessados em perpetrar atos extremistas contra alvos em qualquer parte do mundo.
Referências:
ESTADOS UNIDOS. Department of Defense. Terrorist group profiles. Washington, DC: Government Printing Office, 1988.
SEMANA do terrorismo. In: Discovery Channel, 6 a 12 de março de 2006. * * *

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Você sabia?
Que as datas comemorativas da Abin são:
07 de dezembro de 1999 - Criação da Abin
Pela Lei 9.883/99, foi criada a Agência Brasileira de Inteli- gência, após vinte e cinco meses de estudos, como proposta, no âmbito do Executivo, seguidos de vinte e sete meses tramitando como Projeto de Lei, nas duas Casas do Con- gresso Nacional.
Neste ano, em 07 de dezembro, a ABIN completa oito anos de existência, com a responsabilidade pelo legado de oiten- ta anos de atividade de inteligência no Brasil.
29 de novembro: Dia do Veterano de Inteligência
O dia 29 de novembro é a data mais longeva que a crônica histórica situa registro do início formal da atividade de Inteli- gência de Estado no Brasil. Por isso, foi escolhida para ho- menagear todos aqueles que labutaram durante anos no anônimo, disciplinado e silencioso mister de servir ao Brasil na Agência Brasileira de Inteligência e demais órgãos do SISBIN.
06 de setembro: Dia do Profissional de Inteligência
O dia 06 de setembro foi escolhido para homenagear a to- dos os profissionais que, anônima e silenciosamente, traba- lham em benefício da segurança da sociedade e do Estado brasileiro e dos interesses nacionais na Agência Brasileira de Inteligência e em todos os órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência.
Aescolha da data é uma referência ao dia da criação do Servi- ço Federal de Informações e Contra-Informações (SFICI), em 06 de setembro de 1946, pelo então Presidente Eurico Gaspar Dutra. O SFICI é um dos órgãos antecessores da ABIN.
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Resumo
TENET, George J. At the center of the storm: my years at the CIA. New York: Harper Collins, 2007. 576p.
pelo Cmt. Int. Romulo Rodrigues Dantas Abin
Segundo o livro At the center of the storm: my years at the CIA, de George J. Tenet – diretor da Agência Central de Inteligên- cia (CIA) entre julho de 1997 e junho de 2004 –, autoridades da Casa Branca e do Pentágono, particularmente o vice-presidente Dick Cheney, estavam determinados a atacar o Iraque desde o início da administração Bush, antes das ações terroristas de 11 de setembro de 2001, e, para justificar a ação, distorceram a inteli- gência disponível.
Ainda que Tenet não questione a ameaça potencial que Saddam Hussein representava ou a sinceridade da crença do go- verno nos fatos, ele se recorda dos esforços de auxiliares de Cheney e do então secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, para disse- minar inverdades sobre Hussein para a opinião pública e assim justificar a guerra. Tenet também descreve o temor despertado na Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos daAmérica (EUA) quanto à intenção da administração Bush de “descaracterizar inte- ligência complexa”.
Tenet afirma desconhecer que tenha havido “qualquer debate sério em relação à iminência da ameaça iraquiana. O debate que houve foi sobre a necessidade de agir antes que Saddam agisse”.
Emapresentações sobre ameaças aos EUApara integrantes da administração Bush em formação, no final de 2000, Tenet es- creve que funcionários da CIA sequer fizeram menção ao Iraque.
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Mas Cheney teria solicitado informações sobre esse país ao então secretário de Defesa do governo Clinton, William S. Cohen.
Em agosto de 2002, Cheney proferiu um discurso “cujo con- teúdo foi muito além do que as avaliações da CIA podiam supor- tar”, diz Tenet. Entre outras coisas, Cheney afirmava que Saddam Hussein teria reiniciado seu programa nuclear “e brevemente teria armas nucleares, talvez dentro de um ano”. Pego de surpresa por essas declarações – ainda não confirmadas pela CIA –, Tenet afir- ma no livro ter pensado em confrontar Cheney, mas não o fez. “Teria esse fato alterado a futura abordagem desse tema?”, Tenet questionou-se à época. Ele acredita que não, “mas não deveria ter permitido que seu silêncio pudesse ser tido como concordância implícita”. Para Tenet, “formuladores de políticas têm o direito de ter suas próprias opiniões, mas não seu próprio conjunto de fatos”.
Novos detalhes sobre as origens da atual ameaça terrorista – e a maneira como as administrações Clinton e Bush lidaram com ela – somam-se à crescente quantidade de informações sobre o final da década de 90 e os primeiros anos do novo século. Para o futuro, Tenet descreve que seu maior temor é o de “natureza nu- clear”, e está convencido de que é esse “o caminho que Osama bin Laden e seus seguidores desesperadamente desejam tomar, pois sabem que bombas em veículos, aeronaves e barcos lhes proporcionam manchetes em jornais; mas é o cogumelo nuclear que os faria entrar para a história”. Tenet afirma que “a al-Qaeda está aqui nos EUA, aguardando”, apesar dos esforços para combatê-la.
O livro rompe o silêncio público de Tenet, auto-imposto des- de que ele deixou o poder, especialmente pelo fato do que consi- derou tentativas da Casa Branca em transformá-lo em “bode expiatório”.
Tenet diz que, em maio de 2003, Bush conversou sobre ele, Tenet, deixar o governo. Mas esse fato só se concretizou nove meses depois, com a publicação do livro Plan of Attack, escrito em 2004 por Bob Woodward, editor assistente do The Washington
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Post, sobre os preparativos para a guerra. No livro, Woodward cita que Bush lhe dissera que a expressão slum dunk1 – utilizada por Tenet, em 2002, para assegurar que a inteligência disponível justi- ficaria a invasão do Iraque – “fora muito importante” para a sua tomada de decisão.
Tenet admite ter utilizado a expressão, mas ela foi retirada de contexto mais amplo e subseqüentemente utilizada pela adminis- tração para culpá-lo por produzir inteligência deficiente. Tenet es- creve que não seria sensato exonerar-se por algo que apareceu num livro, “mas já não vislumbrava maneira de poder ou continuar no governo, e Bush não fez nada para que ele permanecesse”.
Tenet culpa-se, entre outras coisas, pela Estimativa Nacional de Inteligência de outubro de 2002, a qual teria sido compilada sem muito critério. A estimativa – assinada na véspera da sessão do Legislativo convocada para autorizar a guerra – concluiu que o Iraque possuía armas químicas e biológicas. Tenet diz reconhecer que o documento foi produzido “sem muito cuidado em pontos- chave e, muitas vezes, embasou-se em fontes únicas, as quais posteriormente evidenciaram estar erradas”. Um problema cons- tante, escreve Tenet, “é a tendência de analistas de inteligência assumirem como suas idéias de outras pessoas”.
Tenet recorda que um dos momentos da sua gestão em que se sentiu “mais por baixo” foi durante audiência pública em maio de 2004, quando um congressista disse-lhe: “Todos dependíamos de você, e você nos deixou na mão.”
Os relatos de Tenet sobre seus sete anos dirigindo a CIA incluem explicações, acusações, defesas e apologia ocasional. Quando se tornou diretor em exercício da CIA, em dezembro de 1996, Tenet diz ter-se deparado com “uma agência em franga- lhos”, com orçamento deficiente e métodos anacrônicos e “mori- bundos” de recrutamento de funcionários, cujo moral “estava no
1 Jogada de basquetebol na qual o jogador lança-se para o alto e intercepta a trajetória
da bola, “enterrando-a na cesta”, usualmente pendurando-se no aro. No contexto, significa algo certo.
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porão”. Os setores de análise e operações estavam deteriorados e não havia plano de ação gerencial de longo prazo coerente, inte- grado e mensurável, e para reverter essa situação ele focou sua energia, desde o primeiro dia.
Muito do conteúdo da primeira metade do livro descreve o que Tenet considera seus esforços e de auxiliares para fazer fren- te à crescente ameaça da al-Qaeda e para convencer a Casa Bran- ca a adotar ação mais agressiva. Rejeitando críticas posteriores sobre alegada “letargia” da CIA, Tenet diz que após 11 de setem- bro de 2001 alguns funcionários da alta gerência do governo afir- maram “ter-se surpreendido com a extensão e natureza dos ata- ques. Talvez tenham ficado surpresos, mas não deveriam ter fica- do, pois nós os vínhamos alertando sobre essa ameaça em todas as oportunidades”.
Umdos capítulos do livro é denominado “Oportunidades Per- didas”. Mas ele próprio não perdeu a oportunidade de “ajustar o placar” com Cheney, Rumsfeld e seus assessores de mais alto nível, com o assessor de Segurança Nacional do primeiro gover- no Bush, e com a secretária de Estado, Condoleezza Rice – que ele define como “figura distante que conhece bem o pensamento do presidente, mas que tende a não se envolver em confrontos políticos”.
Tenet escreve que, na gestão de Rice, o Conselho de Segu- rança Nacional falhou por não ter explorado opções e alcançado consenso, e que Rumsfeld recusava-se a reconhecer a deteriora- ção do quadro no Iraque e, também, em várias ocasiões, atrapa- lhou o trabalho da CIA, por tratar informação secreta de maneira irresponsável.
De maneira contrastante, o tratamento de Tenet a Bush – que o condecorara com a Medalha da Liberdade, seis meses após ter deixado o governo – é relativamente gentil, “mas jamais esque- cerá que, a despeito da inexistência de inteligência conclusiva con- tra o Iraque, o presidente, Cheney, Rumsfeld e Rice já haviam decidido pela suposta legitimidade e oportunidade de invadir o
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país, e os preparativos da Casa Branca para a guerra estavam adiantados, com planos militares e de logística praticamente pron- tos”. Tenet escreve a descrição do quadro iraquiano pela alta ge- rência do governo como “a coisa mais desprezível que já aconte- ceu comigo, pois não se lança uma pessoa ao mar só por vontade. Isso é honrável? Isso não é honra para mim”. Tenet admite que ele e outros algumas vezes falharam ao não prover Bush da informa- ção que ele precisava. “O presidente não estava bem servido de informações”, escreve.
Tenet escreve defensivamente em relação ao controverso programa de interceptação nos EUA de comunicação telefônica, em situações envolvendo suspeitos de terrorismo. “O programa foi idéia de Cheney, e ele informou, doze vezes, os líderes dos comi- tês de Inteligência do Senado e da Câmara dos Deputados, antes de o programa ter-se tornado público, no final de 2005.”
Olivro reitera a declaração do ano passado feita por Bush de que os métodos da CIA para interrogar prisioneiros da al-Qaeda “ajudaram a inibir outras ações terroristas já planejadas nos EUA, no Reino Unido, no Oriente Médio e no sul e centro da Ásia”. Tenet admite que a CIA utilizou técnicas “as mais agressivas” – as quais ele não detalhou –, contra “um punhado dos piores terroristas do planeta”. Tais interrogatórios eram “cuidadosamente acompanha- dos todo o tempo, para assegurar a segurança do prisioneiro”.
Tenet considerou “papo furado” declaração feita no livro The One Percent Doctrine1, escrito em2006 pelo jornalista Ron Suskind, que afirmou que a CIA superestimou o valor da inteligência obtida do militante da al-Qaeda, Abu Zubaida, o qual Susekind conside- rou “mentalmente instável”. Tenet esclarece que Zubaida era figu- ra central para muitas das operações da al-Qaeda e “comparti- lhou” informações valiosas com seus interrogadores.
2 Nesse livro, o substituto de Tenet, John E. McLaughlin – que também participou da conversa entre Bush e Tenet – afirma não recordar ter Tenet utilizado a expressão. Tenet inicialmente negou ter utilizado a expressão, mas em 2005, em palestra na Uni- versidade de Kutztown, no estado da Pennsylvania, disse estar arrependido por tê-la utilizado para descrever o caso contra o Iraque, considerando-a “as duas palavras mais estúpidas” que jamais dissera.
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Ao ser preso, Khalid Sheik Mohammed, mentor dos atenta- dos de 11 de setembro de 2001, disse que só falaria após encon- trar-se com um advogado nos EUA. Tenet escreve que se o gover- no tivesse atuado de forma diferente e consentido o encontro, a CIA não teria obtido “nenhuma informação que ele possuía sobre ameaças iminentes contra o povo dos EUA”.
Para Tenet, a resposta da al-Qaeda ao foco da atenção da Inteligência dos EUA – homens jovens e árabes como riscos pri- mários – “tem sido o recrutamento de jihadistas com perfis diferen- tes”. Ele está convencido de que “o próximo grande ataque contra os EUA poderá perfeitamente ser realizado por pessoas com fei- ções asiáticas ou africanas, e não aquelas para as quais muitos estão alerta”.
No livro, Tenet destaca a proatividade da CIA em relação à al-Qaeda e bin Laden, mas considerou deficiente a reação da bu- rocracia da Comunidade de Inteligência em relação aos documen- tos e alertas produzidos.
Por fim, o livro de Tenet disponibiliza ao público sua versão de fatos relativos aos atentados de setembro de 2001 e à invasão do Iraque. O certo é que o centro da tempestade muitas vezes concentra silêncio ensurdecedor.

* * *
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Caso Histórico
ABATALHA DEARGEL 1
Robert J. Kee
Três mortos. Vinte feridos. Edifício demolido. Assim reza o relatório datado de 30 de setembro de 1956 sobre o primeiro ataque terrorista da Frente de Libertação Nacional (FLN), na cidade de Ar- gel, na então Argélia francesa. A cena ocorreu no Café Metrópole, um lugar de encontro de argelinos, tanto de origem européia, quan- to árabe. Despercebidamente, um terrorista da FLN havia entrado, feito seu pedido e partido, deixando um pacote de aparência ino- cente. Com uma explosão terrível, a guerra havia chegado.
Com início em setembro de 1956, a FLN, através do terror, paralisou progressivamente a cidade. Por volta de janeiro de 1957, o controle havia sido virtualmente arrancado das mãos da admi- nistração civil francesa. Reconhecendo o fato de que as autorida- des locais não podiam conter a FLN, o governo em Paris deu a seguinte missão ao Exército francês: “Restaurar a ordem em Argel e destruir a organização terrorista da FLN”.
Este artigo avalia a eficiência dos métodos empregados pelo Exército francês no cumprimento dessas missões2 .
Estabelecendo a cena
Em 1 de novembro de 1954, quatro meses após o cessar- fogo na Indochina, os primeiros tiros da insurreição argelina resso- aram nas Montanhas Aures, cerca de 160 km ao sul da cidade de
1Artigo publicado na Revista Coletânea L. Brasília: EsNI, ano I, n. 4, jan. 1977. p. 79- 101. Tradução revista e atualizada.
2 Ver também o filme “A Batalha de Argel”, de 1965, de Gillo Pontecorvo.
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Constantina. Em questão de horas, a FLN atacou mais de 70 ve- zes — lançamento de bombas, incêndios, emboscadas e incur- sões contra postos policiais. Começou assim a insurreição que a maioria dos especialistas considera como sendo um modelo clás- sico da guerra revolucionária. Não está dentro dos parâmetros deste artigo discutir todos os aspectos da guerra franco-argelina de oito anos. O período compreendido entre novembro de 1954 a agosto de 1956 é resumido pelos seguintes acontecimentos: sucesso ini- cial para a FLN; reação lenta dos franceses; disputas internas e reorganização por parte dos rebeldes; reforço do Exército Fran- cês; e, finalmente, por volta de agosto de 1956, uma situação de impasse em todo o país.
Tentando encontrar um meio de romper esse impasse, em 30 de agosto de 1956, a liderança da FLN reuniu-se no Vale de Soumman, relativamente seguro, localizado cerca de 160 km a oeste de Argel. Esta reunião reorganizou e expandiu a liderança revolucionária, formalmente designou o exército rebelde como Exér- cito de Libertação National (ELN) e criou uma estrutura de coman- do e estado-maior. Como um passo na direção de uma rápida vitó- ria, a liderança da FLN adotou como linha de ação uma campanha terrorista dentro da cidade de Argel. Para atingir o objetivo de rapi- damente dominar Argel, a Conferência de Soumman estabeleceu uma organização terrorista independente para a cidade. O nome que lhe foi dado —Zona Autônoma de Argel (ZAA) —é geralmen- te considerado como um exemplo clássico para a estruturação de um movimento de insurreição urbana. Como esta seria a organiza- ção que o Exército francês teria que destruir, para cumprir com êxito a sua missão de restaurar a ordem na cidade, merece um exame mais minucioso.
A ZAA era dirigida por um conselho de quatro membros: o líder político-militar; o auxiliar; o assistente militar; e o assistente de ligação externa e imprensa. Teoricamente iguais, o líder políti- co-militar era, na realidade, o membro predominante. A cidade foi dividida em três regiões e estas subdivididas em 10 seções. Final- mente, estas 10 seções foram repartidas em 34 distritos. Cada
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distrito tinha sua própria organização política, cuja finalidade era a coleta de impostos, suprimentos, Inteligência e a doutrinação da população.
A estrutura baseava-se na meia célula de três homens, na célula, no meio grupo, no grupo, e no sub-distrito. Normalmente, com 127 homens, todos ficavam sob o controle do líder de distrito.
A organização militar do distrito,cuja finalidade era a prote- ção da FLN e a realização de missões terroristas, consistia de 35 homens. O comandante do distrito e seu subcomandante chefia- vam três grupos armados, cada um com um líder e três células de três homens cada.
Um elemento importante e final da organização da ZAA era a sua rede de lançamento de bombas, diretamente subordinada ao Conselho Zonal. Conservada afastada de outros elementos da or- ganização, a rede compunha-se de diversos ramos bastante compartimentados. Cada um desses ramos ligava-se apenas com o chefe da rede através de um sistema de caixas postais.
Desta forma, por volta de janeiro de 1957, a organização ter- rorista em Argel compreendia aproximadamente 1.200 homens armados (ELN) e 4.500 pessoas pertencentes à FLN. Opondo-se a essa força formidável havia somente 1.000 policiais municipais apenas equipados para combater criminosos comuns em tempo de paz. Surpreendida por um adversário, que desconhecia total- mente, a polícia não pôde resolver a situação. À proporção que pioravam as condições em Argel, o governo francês foi forçado a uma decisão difícil: deveria o terror ser combatido por meios co- muns ou pelo contra-terror? A intervenção, em último caso, pelo Exército Francês, era indesejável, mas inevitável.
O papel do terror
A conditio sine qua non para o sucesso na guerra revolucio- náriaé que, para obtê-lo deve-se conquistar os corações e menta- lidades do povo. Um corolário disso poderia ser se você deseja
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impor a sua vontade a outro: faça com que ele tema por sua pró- pria vida. Essa era a filosofia por trás da campanha de terror urba- no desenvolvida pela ZAA. Na rua, no trabalho, em casa, o cida- dão de Argel vivia continuamente sob a ameaça de morte violenta. Frente a esse perigo permanente, ele tinha o sentimento depri- mente de ser um alvo isolado e indefeso. O fato de que as autori- dades não mais podiam garantir a sua segurança, aumentava o seu desânimo. Perdendo a confiança no Estado, era mais e mais levado para o lado dos terroristas —os únicos que pareciam poder garantir a sua segurança.
Os objetivos declarados da ZAA em sua campanha de terror eram:
Primeiro: Forçar os muçulmanos francófilos e aqueles que serviam com funcionários governamentais a se voltarem contra os franceses. Isto foi conseguido através de numerosos casos de mutilação e assassinato. Por volta de janeiro de 1957, a opo- sição à FLN foi eficientemente silenciada e a administração fran- cesa perdeu o apoio de grande parte da população muçulmana. Como beneficio complementar, o prestígio da FLN aumentou, porque um terrorismo dessa natureza oferecia provas tangíveis da sua eficiência.
Segundo: Criar uma atmosfera de ansiedade e desconfian- ça entre colons (argelinos de origem européia) e muçulmanos. Isto foi conseguido pelo bombardeio e fuzilamento indiscriminado de colons. As duras contramedidas da polícia francesa — antagonizaram ainda mais a população muçulmana e aprofundaram a brecha entre as duas comunidades.
Talvez o terrorismo possa ser definido como a utilização sis- temática da intimidação para finalidades políticas. Esta definição parecia ajustar-se a situação argelina. Embora não declarado, pode- se supor que um objetivo posterior da campanha era persuadir o governo francês de que havia se tornado demasiado dispendioso manter a Argélia. Além disso, uma campanha terrorista atrairia a atenção mundial e possívelmente obteria um apoio externo adicio-
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nal para a causa rebelde. Certamente, provocaria discórdia no debate político francês.
A eficiência geral da campanha de terror em Argel é bem conhecida. No início, entre setembro e dezembro de 1956, houve uma média de 100 incidentes por mês. Quando se considera que cada ataque teve o efeito de aterrorizar não apenas as vítimas, mas também as milhares de pessoas que liam a respeito dos inci- dentes nos jornais, pode-se verificar a eficácia do terror urbano. A eficiência da rede de terror da ZAA pode ser estimada pelo fato de que, durante os primeiros quatro meses de campanha, nenhum terrorista foi preso pela polícia francesa. Este fato não passou des- percebido à população muçulmana da cidade.
Assim, por volta de janeiro de 1957, Argel estava quase cain- do nas mãos da FLN. Em virtude da incapacidade da polícia muni- cipal de conter a maré da FLN sobre a cidade, a missão de restau- rar o controle da França sobre Argel foi dada ao Exército. Este compreendeu que, se o objetivo da guerra revolucionária é o con- trole da população, o primeiro objetivo deve ser garantir a segu- rança dessa população contra atos terroristas. AZAA, por sua vez, sabia que o terrorismo é a única ação que o revolucionário urbano nunca pode abandonar. O palco estava assim armado para o que a História passou a chamar de “A Batalha de Argel”.
A greve
Com o terrorismo em Argel tendo atingido graus sem prece- dentes, a FLN decidiu testar o seu domínio sobre o povo. Uma greve geral foi anunciada para 28 de janeiro de 1957. A população foi informada de que a greve duraria oito dias, que durante a greve todos os muçulmanos deveriam permanecer em casa, que todas as lojas deveriam permanecer fechadas e que todas as infrações seriam punidas, inclusive com a morte. Além de demonstrar o con- trole da FLN sobre o povo de Argel, a greve deveria chamar a atenção da Assembléia-Geral das Nações Unidas quanto ao pro-
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blema argelino. Contudo, uma nova cartada seria jogada pelos franceses.
Em 8 de janeiro de 1957, a 10ª Divisão Pára-Quedista, tropa de elite, sob o comando do General-de-Brigada Jacques Massu, recebeu a missão de restaurar a ordem em Argel. Três dos quatro grupamentos de combate da Divisão imediatamente se desloca- ram para a cidade. O quarto permaneceu em reserva fora dos limites urbanos. Não estando bem preparada para esse tipo de operação, a divisão experimentou um período inicial de hesitação em relação a que métodos deveria empregar no cumprimento de sua missão. Entretanto, não podendo deixar a iniciativa nas mãos do inimigo, Massu decidiu que a propalada greve geral seria esmagada. Em 14 de janeiro de 1957, declarou:
“No caso de uma greve, todas as lojas permanecerão aber- tas. Se necessário, serão abertas a força e, nesse caso, a segu- rança da mercadoria não pode ser garantida”.
Em 18 de janeiro, afirmou: “Argel será cercada, compartimentada, rigorosamente controlada, isto é, protegida e de- sinfetada”. Estava claro que uma nova liderança chegara a Argel.
Entretanto, recuar em face deste novo comandante resulta- ria numa perda de prestígio inaceitável para a ZAA e, em 28 de janeiro, uma greve geral na cidade de Argel foi declarada. No pri- meiro dia, a greve experimentou um certo sucesso. No segundo, a eficiência da greve foi acentuadamente reduzida. No terceiro dia, houve apenas uma participação mínima. No quarto dia, de acordo com as palavras de Massu, a greve havia sido esmagada. E o que é mais importante, a organização da ZAA havia começado a se desintegrar e, em pouco mais de duas semanas, seria tornada impotente. Por volta de 14 de fevereiro, 23 pistoleiros, 51 chefes de células terroristas e 174 coletores de impostos da FLN haviam sido presos. De forma significativa, a liderança da ZAA havia sido forçada a fugir para a Tunísia. No final de março, o controle total de Argel estava novamente nas mãos dos franceses. Nas palavras de um dos líderes da FLN: “A organização que tão penosamente
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conseguimos construir foi destruída”. Como esta notável reviravolta ocorreu?
Métodos do tigre
Dois dias após assumir a responsabilidade por Argel, Massu recebera autoridade policial total. Assim armadas, as tropas da 10ª Divisão Pára-quedista começaram a intimidar, interrogar, esta- belecer processos de controle estrito da população, instalar seus próprios agentes entre a população, e planejar diversas técnicas novas de guerra anti-revolucionária urbana. Consideremos mais pormenorizadamente estes métodos:
• Interrogatório - O rompimento inicial da infra-estrutura da ZAA ocorreu quase por acaso. Após diversos dias de um patrulhamento essencialmente ineficaz pelos pára-quedistas, uma sentinela foi morta a tiro, quando de guarda no posto de comando de um dos grupamentos de combate da 1ª Divisão. Furioso, o Coronel Bigeard tomou medidas drásticas. Uma faixa do Casbah, o território muçulmano encravado emArgel, foi isolada. Literalmen- te, os primeiros 100 homens que as tropas do Coronel Bigeard encontraram foram trazidos ao PC do grupamento e interrogados. Como se poderia esperar, esses homens não deram muitas res- postas. Entretanto, dez dos mais prováveis foram selecionados e interrogados com mais rigor. (A questão da tortura será discutida posteriormente). Destes dez, dois cederam e informaram sobre uma célula da FLN. Iniciava-se o fim da ZAA.
O Coronel Bigeard começou a organizar todo o seu grupamento de acordo com a estrutura de um órgão de Segurança Interna. Centros de interrogatório foram estabelecidos em cada uma das seis companhias. O comandante de companhia era o interrogador-chefe, com o concurso de seu subcomandante e sar- gentos auxiliares dos pelotões. Grupos de combate ficavam de prontidão para explorar imediatamente qualquer informação obti- da pela unidade de interrogatório. No PC do grupamento, o S2
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coordenava as atividades das seis companhias. Notando a efici- ência da unidade de Bigeard, Massu ordenou que todos os grupamentos adotassem esse sistema. Embora operando durante 24 horas diárias, deve-se observar que a maioria das prisões ocor- reu durante a noite. Isto reduzia a possibilidade de qualquer aviso que atingisse o membro da ZAA exposto, e também diminuía a probabilidade de qualquer reação adversa por parte dos muçulma- nos não envolvidos.
• Intimidação - Como mencionado acima, Massu havia de- clarado que a segurança de quaisquer lojas que participassem da greve geral não poderia ser garantida. De acordo com as suas palavras, diversas lojas que ficaram fechadas em 28 de janeiro foram arrombadas pelas tropas francesas e realmente saqueadas. Este terrível uso da força mostrou claramente aos proprietários que, independentemente de suas tendências políticas, corriam um grande risco financeiro cooperando com a ZAA. Não é surpreen- dente que o número de lojas fechadas em 29 de janeiro fosse significativamente menor do que em dias anteriores.
Além disso, Massu suspendeu todos os direitos legais de qualquer um que fosse preso, e o menor sinal de resistência ao soldado francês era base suficiente para prisão. Uma vez preso, o muçulmano sabia que, após um interrogatório completo, estava sujeito à detenção indefinida em um dos diversos Campos de Re- educação recentemente criados. O impacto destas novas regras do jogo não deixou de influenciar mesmo os não solidamente vin- culados à ZAA.
• Controle da População - Embora o fato de que o QG da ZAA estivesse localizado na Casbah fosse de conhecimento geral, os franceses haviam obtido pouco êxito em penetrar nesta parte mais antiga da cidade. Com uma população de mais de 80.000 habitantes, a Casbah, um labirinto de ruelas estreitas e casas in- terligadas, havia demonstrado ser virtualmente impenetrável a ope- rações policiais normais. Com as primeiras rupturas da organiza- ção da ZAA, entretanto, Massu deslocou-se a fim de isolar essa parte da cidade.
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O seu primeiro passo foi cercar a Casbah com tropas e per- mitir a entrada e a saída apenas em pontos específicos. Permane- cer em longas filas de modo a ter os seus cartões de identidade verificados, logo se tornou uma forma de vida para os habitantes do Casbah. Umavez que este sistema começou a funcionar, Massu pôde empregar eficientemente os informantes muçulmanos que estavam começando a aparecer. Guardados por tropas francesas, os informantes permaneciam nos pontos de controle de entrada ou de saída. Quando um homem que era conhecido pelo infor- mante como pertencendo à ZAA passava pelo ponto de controle, era indicado e preso. Para evitar represália, o informante ficava normalmente coberto por uma manta de modo que a sua identida- de permanecesse secreta. Além de serem irritantes para a maioria dos muçulmanos, as longas filas de entrada e saída mostraram ser fatais para muitos membros da ZAA.
Junto com o isolamento da Casbah, houve um censo e a expedição de novos cartões de identidade. Foram distribuídos livretos a cada família de modo a facilitar o controle de casa a casa, e o chefe da família era responsável pela comunicação das mudanças posteriores. Este procedimento foi uma importante fon- te de Inteligência, porque o censo indicava o parentesco mútuo. Como na maioria das outras insurreições, a adesão à causa rebel- de muitas vezes era de acordo com a linha de parentesco. Como era de esperar, os membros da ZAA tentavam falsificar os dados que forneciam ao encarregado do censo. Para impedir esta práti- ca, Massu exigia que todos os homens sujeitos ao censo fossem abonados por dois fiadores que não pertencessem à sua família. Estes fiadores eram responsáveis, sob penalidades severas, pela veracidade de suas declarações. Uma outra medida adotada foi a de considerar como delito grave o fato de um indivíduo não pos- suir um cartão de identidade válido. Uma importante vantagem obtida com esta providência foi a de dar a todos os muçulmanos um álibi no caso de serem pressionados pela ZAA por terem parti- cipado do censo francês.
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Uma vez realizado o censo, Massu pôde instituir o seu Siste- ma Ilot. Sob este sistema, uma pessoa em cada família era res- ponsável por saber a localização de todos os seus membros. O chefe de cada família era responsável perante um chefe de pavi- mento (em um edifício de apartamento), que, por sua vez, era res- ponsável perante o chefe do edificio. A cadeia se estendia através de uma série de líderes de quarteirão, de distrito e assim por dian- te. Empregando esta técnica, os militares franceses podiam deter- minar, em minutos, o paradeiro de qualquer um dos 80.000 habi- tantes da Casbah.
• Agentes - Embora os métodos mencionados acima fossem bem eficientes para a obtenção de informes sobre a ZAA, Massu desejava um sistema mais ativo. Tomou, portanto, prontamente me- didas para estabelecer uma rede de informantes clandestinos. Com o rápido aumento da eficiência das forças francesas em proteger a população, os informantes começaram a aparecer em número cada vez maior. Pelo final de fevereiro de 1957, um grande número de muçulmanos trabalhava ativamente como agentes para o Exército francês. Essa rede funcionava comose segue. OAgenteA, no edificio de apartamentos, relatava os fatos de interesse ao Agente C. O Agente B também vivia no edificio, mas ligava-se com o Agente D. Os Agentes A e B não sabiam, mutuamente, que o outro era mem- bro da rede de informantes de Massu. 0 mesmo acontecia com os Agentes C e D que se ligavam ao agente E. Assim, o sistema pro- gredia subindo a hierarquia da rede. Este modus operandi foi efici- ente em descobrir qualquer possível agente falso, porque Massu tinha dois agentes independentes em cada nível. Qualquer traição, em geral, era rapidamente detectada e, inversamente, muito pou- cos agentes, identificados pela ZAA. Esta rede constituía uma arma muito potente no arsenal anti-insurreição de Massu.
• Quadriculação. Com os seus métodos de controle da po- pulação funcionando bem e com sua rede de informantes come- çando a atuar, Massu decidiu que estava na hora de partir para a ofensiva. Atática empregada foi a da Quadriculação. Basicamente,
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esta técnica consistia emdestacar unidades de combate para cada nível de administração civil, (por exemplo, um distrito poderia ter um pelotão, uma região teria uma companhia e assim por diante). Amissão dessas unidades era dar segurança para permitir o funci- onamento normal da administração civil. Embora fosse dada ênfa- se a segurança, as tropas de quadriculação conduziam também operações de guerra psicológica. A quadriculação tentava colocar as tropas francesas ate o último homem em contato direto com os muçulmanos, transformando cada um em uma espécie de embai- xador junto a população muçulmana. As unidades remodelaram escolas, criaram clínicas e patrocinaram orfanatos. Foram organi- zadas equipes especiais para propiciar trabalho e alojamento aos milhares de refugiados que se aglomeravam em favelas. Essas equipes procuravam também reforçar os serviços sociais e mobili- zar a população para servir a causa francesa. Chamadas de Se- çõesAdministrativas Urbanas (SAU), essas unidades serviam como intermediárias entre as unidades de combate e a população mu- çulmana. Assim, constituíam parte muito importante do Sistema de Quadriculação.
Entretanto, a missão principal das tropas de quadriculação continuava sendo a segurança do distrito. Era cumprida através de patrulhamento constante, da guarda de locais de negócio e edifícios essenciais, e do emprego de uma tática conhecida como operação de esquadrinhamento: durante a noite, uma casa, edificio de apartamentos, ou um quarteirão inteiro era cercado e uma bus- ca completa era realizada. A operação poderia ter sido provocada por informes ou o alvo escolhido ao acaso. De qualquer forma, quem parecesse suspeito era preso e levado ao PC da companhia para interrogatório. Esta técnica muitas vezes prejudicava os obje- tivos do programa de ação cívica, mas eram feitos todos os esfor- ços para que as pessoas compreendessem que estas medidas severas não tinham outra finalidade senão a rápida destruição do inimigo, melhorando assim a situação de segurança do distrito.
O Sistema de Quadriculação teve um efeito tremendo sobre a organização da ZAA. Embora exigisse um grande efetivo, conte-
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ve com eficiência a expansão da ZAA e propiciou um alto grau de segurança a todos os cidadãos de Argel.
• Tortura - As operações realizadas contra uma organização de terrorismo urbano são muitas vezes baseadas em Informações oportunas. Em Argel, onde o tempo era em geral crítico, os méto- dos de interrogatório, que se baseavam em recompensas, patrio- tismo, suborno e mesmo ameaças como incentivo, mostraram ser demasiado lentos. A solução desse problema foi, em muitos ca- sos, submeter o suspeito à tortura. O fato de que a tortura foi usa- da em caráter geral, e não excepcional, durante a “Batalha de Ar- gel” foi repetidamente declarado por oficiais que tomaram parte nas ações. A própria Comissão Governamental de Salvaguarda dos Direitos e Liberdade Individuais, estudando posteriormente a situação em Argel, declarou que havia encontrado provas insofismáveis de desrespeito francês às Leis da Guerra. Mas, como aplicar exatamente as Leis da Guerra a uma insurreição urbana? O próprio Massu declarou: “A tortura deve ser condenada, mas gostaríamos de ter uma resposta precise quanto a em que ponto a tortura realmente começa”. Esta dúvida pode ser melhor ilustrada pela descrição de um incidente ocorrido em fevereiro de 1957. Foi preso um terrorista que portava uma bomba. Os franceses tinham certeza que ele possuía Informações a respeito de diversos outros terroristas que estavam prontos para lançar suas bombas. O que deveriam os franceses ter feito? Dar ao terrorista alguns momen- tos desagradáveis ou por 300 vidas inocentes em perigo? Quando nos lembramos de que muitas famílias de oficiais franceses viviam em Argel, a dificuldade do dilema se torna evidente.
Entretanto, se é possível abusar do emprego da tortura, deve- se dizer que as tropas de Massu o fizeram. 0 tratamento brutal de prisioneiros, recém-capturados ou não, era muitas vezes motivado por outras considerações que não a obtenção de Informações. Os argelinos eram torturados em represália a ações da FLN como um meio de aterrorizar os rebeldes e influenciar a população.
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A questão é, portanto: “Pode um exército que diz defender a sociedade ocidental e a ética humanística empregar métodos que comprometem os valores que procura manter? Pode institucionalizar a atrocidade?” A experiência de Massu em Argel indicaria que a resposta é não. Embora mostrando ser eficiente num sentido tático, o emprego permitido de tais métodos resultou em uma perturbação séria para o Exército. É de se imaginar o impacto que a política de tortura autorizada teve sobre a eficiência das equipes de guerra psicológica. Imagine-se o efeito sobre o jovem oficial recém-egresso de St. Cyr, que recebe ordem de exe- cutar sumariamente um prisioneiro e depois é instruído para de- clarar no relatório oficial que o prisioneiro foi morto ao tentar eva- dir-se. Considere-se o sentimento de degradação das tropas que administravam pancadas, torturas de água e fogo, choques elétri- cos, e descobriam então que o suspeito era inocente. Essas coi- sas ocorreram emArgel, e a consciência pesada e sentimentos de culpa resultantes, a perda de respeito por superiores e a profunda divisão de opiniões sobre a tortura, tiveram influência poderosa no estado de disciplina e moral de todo o exército. O emprego da tortura pode ter sido taticamente lógico, mas para muitos muçul- manos, a adoção de brutalidade fisica e psicológica sistemática pelos franceses era uma admissão de derrota em ultima análise.
Julgamento
Os métodos empregados por Massu foram eficientes? Se o critério de eficiência é o cumprimento da missão (como é normal em operações militares), então o veredicto é um sim retumbante . Ao final de fevereiro de 1957, a pressão sobre a ZAA era tão gran- de que todos os membros do Conselho Zonal, junto com muitos líderes menos importantes, haviam fugido para a Tunísia em bus- ca de segurança. A10ª Divisão, de Massu, tinha conseguido elimi- nar virtualmente o potencial da FLN para ação direta em Argel. Algumas estatísticas dão uma indicação da extensão dos danos sofridos pela ZAA: após apenas quatro semanas da contra cam-
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panha de Massu, 23 pistoleiros, 51 chefes de células terroristas e 174 coletores de impostos da FLN haviam sido presos; por volta de setembro de 1957, mais de 3.000 membros da ZAA estavam mortos e mais de 5.000 muçulmanos eram mantidos em campos de prisioneiros; e quase 40% da população masculina da Casbah havia sido interrogada.
Poderia parecer, certamente, que a Batalha de Argel fora desastrosa para a causa rebelde. A campanha de terror alienou a opinião pública francesa durante anos. Levou à introdução dos pára-quedistas de Massu na cidade. Forçou as autoridades a sus- pender os direitos civis normais dos muçulmanos. Resultou, final- mente, no esmagamento da ZAA.
E, entretanto...
• Interrogatório e Tortura - Um exército pode racionalizar as contravenções institucionalizadas das Leis de Guerra, decla- rando que:
... a questão crítica não é a de quem estava certo mas o que era certo. Esta é uma forma de encarar que os combatentes inten- samente empenha dos não podem tolerar. Eles devem estar cer- tos e o que está certo é o que funciona.
Para mim, este argumento é capcioso. As sementes do erro que estes métodos ilegais plantaram no Exército francês levaram à realização de tentativa do Golpe dos Generais, em 1961, e fo- ram a origem da OAS (organização terrorista francesa secreta que tentou prejudicar a política argelina do General De Gaulle. Os membros da OAS eram particularmente militares franceses).
• Controle da População - Certamente, graças ao Sistema Ilot, os franceses puderam localizar qualquer habitante da Casbah em questão de minutos. As lojas ficaram abertas durante o perío- do de greve geral. Aentrada e a saída controladas da parte muçul- mana da cidade facilitou a identificação dos terroristas. Cada edificio era eficientemente vigiado pelos agentes secretos de Massu. En- tretanto, estes são métodos de um estado policial. Acreditar que
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umpovo concordará permanentemente com as condições de 1984, de Orwell, é ignorar milhares de anos de história.
• Quadriculação - A eficiência desta técnica foi descrita an- teriormente. Entretanto, quando aplicada a todo o país, os france- ses descobriram que muitas vezes uma dúzia de guerrilheiros po- dia forçar ao emprego de muitas companhias. Apesar de atingir a proporção de 10 para 1, os franceses verificaram que a segurança permanente era impossível de manter. Mesmo emArgel, quando a 10ª Divisão foi retirada, em setembro de 1957, houve um ressurgi- mento de atividades terroristas.
Dispensa demonstração o fato de que esse sistema é finan- ceiramente custoso. Entretanto, havia também outras despesas. O emprego desta técnica exigia a presença de milhares de convo- cados em além-mar. Mesmo durante o conflito na Indochina, isto não fora necessário. O efeito final dessa política sobre o apoio popular para o esforço de guerra foi muito semelhante à experiên- cia americana no Vietnã.
• Considerações Políticas - O estudo da Batalha de Argel pela liderança da FLN resultou em uma mudança de seu conceito estratégico.
A FLN decidiu deixar de se basear numa insurreição geral dentro da Argélia e se apoiar na manutenção de um impasse mili- tar e no exercício de pressão diplomática sobre os franceses a fim de negociar um cessar-fogo com base na independência argelina.
A História nos mostra a sabedoria dessa mudança de estratégia.
Do lado francês, o triunfo de Massu sobre a rede rebelde deu a energia cinética necessária ao esforço de pacificação e criou uma sensação de vitória final. Argel permaneceria france- sa! Esta sensação colaborou para o desenrolar dos acontecimen- tos de 13 de maio de 1958. Nesse dia, o exército e a população de colons de Argel, sentindo que o Governo Gaillard em Paris havia se tornado demasiado flexível a respeito da questão de
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independência argelina, organizou demonstrações que resultaram na queda da Quarta República e no retorno ao poder do General Charles de Gaulle. Após certa vacilação, De Gaulle, concluindo que um estado argelino independente era inevitável, iniciou o pro- cesso que resultou nessa independência em 1962.
Deve-se dizer que Massu cumpriu sua missão. Mas, consi- derando os custos financeiro, político e moral de seus métodos, conclui-se que o preço foi demasiado elevado.
Nota explicativa: A Argélia, oficialmente República Democrática e Popular da Argélia, localizada no norte da África, foi colônia da França de 1830 até 1962. Em 1945, em razão da ocupação francesa, houve o primeiro levante popular a favor da libertação, momento no qual se iniciou a organização do movimento anticolonial Frente da Liberta- ção Nacional (FLN). Aluta pela independência estendeu-se de 1954 a 1962, entre a FLN e os colonizadores franceses. Destes, que foram apoiados por ações militares da Fran- ça, surgiu a Organização do Exército Secreto (OAS), que se opunha à emancipação. Em março de 1962, através dos Acordos de Evian, o presidente francês Charles de Gaulle reconhece a independência argelina.

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ISBN : 8589379280
ISBN-13: 9788589379281
Do terrorismo nós sabemos muito e quase nada. Ele reveste nosso presente de maneira maciça e deixa-nos, no entanto, sem voz diante de seus atos. Ele atinge com uma violência inaudita os alvos em pequena escala, mas ganha uma audi- ência planetária graças à mundialização midiática. Sua ameaça permanente mo- biliza a opinião pública internacional e ocupa um lugar crescente na agenda dos governos. Seu fenômeno interroga as consciências, desordena as certezas, es- curece o horizonte. Cada um se expressa sobre ele, mas as propostas concre- tas para combatê-lo são raras e a controvérsia é incessante. Esses são os te- mas tratados neste livro.
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp? nitem=5053840)
PODER, TERROR, PAZ E GUERRA - OS ESTADOS UNIDOS E O MUNDO CONTEMPORÂNEO SOB AMEAÇA
Autor: MEAD, WALTER RUSSELL
Editora: J ORGE ZAHAR
2006 - 248 p.
ISBN : 8571109427
ISBN-13: 9788571109421
Cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001, as perguntas e os problemas originados naquele momento histórico permanecem mais atuais do que nunca. Os Estados Unidos têm um papel fundamental nesse contexto, pois ao mesmo tempo em que o país se encontra numa posição de proeminência e hegemonia, inéditas em sua própria história, o grau de antiamericanismo atinge em todo o mundo níveis sem precedentes.
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp? nitem=1753427)
132 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.
TERRORISMO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Autor: COMUNICAÇÕES DA CONFERÊNCIA ORGANIZADA PELA FUNDAÇÃO C. GULBENKIAN
Editora: GRADIVA
2006 - 304 p.
ISBN : 9896161348
ISBN13: 9789896161347
Terrorismo e relações internacionais: [...]O terrorismo deixou de ser regional para se internacionalizar e é hoje ideológico e não simplesmente nacionalista. Do mesmo modo, não toma para adversário países determinados, mas um modo de viver e pensar que, por comodidade, poderemos chamar ocidental. Possuin- do ele próprio uma dimensão quase-planetária, o seu impacto é igualmente in- ternacional. E, citando o ex-comissário europeu António Vitorino, este novo ter- rorismo veio para ficar - tornou-se uma constante geopolítica do presente e do futuro tanto quanto é possível imaginá-lo. Tal é a perspectiva emque se coloca a nossa conferência.
Esta inicia-se por uma análise dos itinerários terroristas. As biografias dos prota- gonistas e as redes que formam, de natureza assaz diversa, são diferentes do estilo de organização dos terrorismos tradicionais. Por outro lado, a simples ameaça terrorista obriga a uma vigilância permanente: não é fácil prever onde, quando e como uma operação terrorista pode surgir; evitar um único ato levado a efeito por um pequeno número de terroristas requer uma atividade de defesa altamente dispendiosa em recursos humanos e materiais. Esta assimetria multímoda entre o terrorismo e os meios de proteção faz com que os custos do combate antiterrorista se tenham multiplicado e que, tal como o terrorismo, tam- bém a ação antiterrorista se tenha internacionalizado.
Ainternacionalização do terrorismo comporta variados aspectos, dos quais reti- vemos dois. Como tem sido frequentemente observado, o terrorismo combina uma utilização «moderna» da mídia com a difusão de ideologias pré-modernas; e, à sua maneira, inscreve-se no movimento de globalização que arrasta as so- ciedades contemporâneas, ao mesmo tempo que a ele se opõe ideologicamen- te. O terrorismo conduz ainda a difíceis revisões do direito internacional e das legislações nacionais em matéria de direitos humanos.[...]
Fernando Gil
(http://www.criticaliteraria.com/9896161348)
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 133
TRATAMENTO PENAL DO TERRORISMO
Autor: GUIMARÃES, MARCELO OVIDIO LOPES
Editora: QUARTIER LATIN
2007 - 192 p.
ISBN : 8576741865
ISBN-13: 9788576741862
“Trata-se de obra pioneira no Brasil uma vez que, introduzido o termo terrorismo na Constituição de 1988, não havia lei instituindo a prática como crime, pelo menos com essa denominação, de modo que a primeira dificuldade seria e é sua definição legal”. (“http://www.livrariart.com.br/produtos/produtos_detalhes.aspx?id=15193)
São objeto de análise, as funções do tribunal Penal Internacional, a supremacia da ordem jurídica internacional, o terrorismo na legislação pátria através dos tempos e seu tratamento na legislação estrangeira. Por fim, são lançadas algu- mas propostas para um novo ou para alguns novos tipos penais referentes ao crime de terrorismo, no intuito de não manter o ordenamento jurídico pátrio desguarnecido de tipificação relativa a essa infração penal tão grave, atual, rele- vante e de efeitos transnacionais. É, sem duvida, obra de grande utilidade para a formulação do conceito do tema, inclusive para evitar o ‘terrorismo’ legal do ‘di- reito penal do inimigo’, redução das garantias processuais, inversão do ônus da prova e outras sugestões que a doutrina e a prática estão perigosamente apon- tando. (http://bdjur.stj.gov.br/dspace/handle/2011/8921)
134 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.
Em outras línguas:
CULTURE, CRISIS AND AMERICAS WAR ON TERROR
Autor: CROFT, STUART Editora: CAMBRIDGE - USA 2006 - 312 p.
ISBN : 0521867991
ISBN13: 9780521867993
The war on terror discourse continues to develop as it becomes evident in so many aspects of American life through the media, music, novels, television and film. This book explores how a social process of crisis can be mapped out and how it might be applied to other cases.
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura)
ECONOMIC COSTS AND CONSEQUENCES OF TERROR, THE
Organizador: MOORE, J AMES ELLIOTT Organizador: RICHARDSON, HARRY WARD Autor: GORDON, PETER
Editora: EDWARD ELGAR
2007
ISBN : 1845427343
ISBN13: 9781845427344
This landmark book covers a range of issues concerning the consequences of terrorist attacks. Beginning with a discussion of new policies and strategies, it then delves into specific areas of concern, modeling a range of possible scenarios and ways to mitigate or pre-empt damages. Top researchers from around the world discuss issues such as: airport security, urban terrorism, Coast Guard operations, and the need to balance freedoms with security. New policies for deterring terrorism are also proposed. Later chapters model the economic impacts of terrorist attacks on the food industry, major USports, and UStheme parks. The final chapters provide an in-depth look at the effects of interruptions to electricity supply and how to improve resiliency. Using specific locations and situations, the volume details in a concrete way the long and short-term economic effects of possible future attacks. The cutting-edge research and provocative conclusions
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 135
make this a must-read for policymakers, public sector economists, urban planners, aviation officials, insurance industry analysts and those charged with disaster management.
(http://www.bokus.com/b/1845427343.html)
FIGHTING THE WAR ON TERROR
A COUNTERINSURGENCY STRATEGY
Autor: CORUM, J AMES
Editora: MOTORBOOKS INTERNATI
2007 - 304 p.
ISBN : 0760328684
ISBN-13: 9780760328682
Insurgents and terrorists now pose the greatest threat to America - and how to fight and defeat such ‘non-state’ enemies is the single most urgent and vexing question confronting our military today. This book has some answers. James Corum offers an account of how circumstances and our actions (or inaction) have contributed to our present dilemma. And then, with the lessons of recent history in clear view, it lays out a workable strategy for meeting the insurgent threat. Critical to understanding the nature of modern-day warfare, ‘Fighting the War on Terror’ has broad implications for the future course of military, intelligence, and foreign policymaking. No one with an interest in the nation’s security can afford to overlook it.
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura)
The threat of terrorism and insurgency is one that dominates the world, and how to fight and defeat these “non-state” enemies is the most urgent and vexing question to confront the military and politicians of today. Drawing on his experience of decades of counterinsurgency, Corum brings an unique insight to the problems faced, and offers credible answers and solutions. He offers a deeply informed, closely reasoned account of how actions and inactions have contributed to world situation; with the lessons of History clearly in view, it lays out a workable strategy for meeting the insurgent threat. For anyone wishing to understand the changing nature of modern warfare, “Fighting The War On Terror” has broad implications for foreign policy making, military, intelligence, and security operations across the globe - no one interested these areas can ignore it.
(http://www.amazon.co.uk/)
136 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.
GLOBAL SECURITY AND THE WAR OF TERROR ELITE POWER AND THE ILLUSION OF CONTROL Autor: ROGERS, PAUL
Editora: ROUTLEDGE-USA
2007
ISBN : 0415419387
ISBN13: 9780415419383
As the ‘War on Terror’ evolves into the ‘Long War’ against Islamo-fascism, it demands an enduring commitment to ensuring the security of the United States and its allies. This policy is based on the requirement to maintain control in a fractured and unpredictable global environment, while paying little attention to the underlying issues that lead to insecurity. It is an approach that is manifestly failing,
as the continuing problems in Afghanistan and Iraq demonstrate. Moreover, ‘control’ implies the maintenance of a global order that focuses on power remaining in the hands of a transnational elite community, principally focused on North America and Western Europe, but extending worldwide. This elite largely ignores socio- economic divisions and environmental constraints, and sees continuing stability as being best achieved by the maintenance of the status quo, using force when
necessary. This collection of essays by Professor Paul Rogers argues that this post-Cold War security paradigm is fundamentally misguided and unsustainable. It concludes with two new essays on the need for a new conception of global security rooted in justice and emancipation. “Global Security and the War on Terror” will be essential reading for students and scholars of security studies, the Cold War, international relations and development studies.
(http://www.amazon.co.uk/)
HAMAS IN POLITICS: DEMOCRACY, RELIGION, VIOLENCE
Autor: J EROEN GUNNING Editora: C. HURST & CO 2007
ISBN10: 1850658765
In January 2006, Hamas, an organization classified by Western governments as
terrorist, was democratically elected to govern the Palestinian territories. The inherent contradictions in this situation have left many analysts at a loss. Hamas uses terror tactics against Israel, yet runs on a law and order ticket in Palestinian elections; it pursues an Islamic state, yet holds internal elections; it campaigns for shar’iah law, yet its leaders are predominantly secular professionals; it calls for the destruction of Israel, yet has reluctantly agreed to honour previous peace
agreements. In “Hamas in Politics”, Jeroen Gunning challenges the assumption
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 137
that religion, violence and democracy are inherently incompatible and shows how many of these apparent contradictions flow from the interaction between Hamas’ ideology, its local constituency and the nature of politics in Israel/Palestine. Drawing on interviews with members of Hamas and its critics, and a decade of close observation of the group, he offers a penetrating analysis of Hamas’ own understanding of its ideology and in particular the tension between its dual commitment to ‘God’ and ‘the people’. The book explores what Hamas’ political practice says about its attitude towards democracy, religion and violence, providing a unique examination of the movement’s internal organization, how its leaders are selected and how decisions are made.
(http://www.amazon.co.uk/)
IN THE WAKE OF TERROR
CLASS, RACE, NATION, ETHNICITY IN THE POSTMODERN W Autor: SAN, E.
Editora: ROWMAN & LITTLEFIELD
2007 - 218 p.
ISBN : 073911722X
ISBN-13: 9780739117224
“In the wake of terror” focuses on the controversies over the linkage of class exploitation and the ideology of racism, the role of nationalism in postcolonial politics, and ethnic exclusion.
(http://www.amazon.co.uk/)
PRELUDE TO TERROR: THE ROGUE CIA AND THE LEGACY OF AMERICA’S PRIVATE INTELLIGENCE NETWORK
Autor: TRENTO, J OSEPH J . Editora: PUB GROUP WEST 2006 - 408 p.
ISBN : 0786717661
ISBN-13: 9780786717668
A leading investigative reporter on American intelligence and national security reveals the dramatic story of the nation’s private intelligence network, tracing the corrupt practices of a splinter spymaster group to reveal their role in presidential
elections, the arms-for-hostages plan, and the alliance between the U.S. and extreme Islamic faction
(http://www.amazon.co.uk/)
138 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.
PSICOLOGIA DEL TERRORISMO: CÓMO Y PORQUÉ ALGUIEN SE VUELVE TERRORISTA
Autor: HORGAN, J OHN
Editora: GEDISA
2006 - 272 p.
ISBN : 8474325463
ISBN13: 9788474325461
La importancia de los movimientos terroristas, que comenzaron en los años sesenta, ha llegado a su punto máximo con los atentados del 11 de septiembre de 2001. Actualmente, el terrorismo se ha convertido en la forma más efectiva y virulenta de hacer la guerra y en el principal foco de interés y temor de la ciudadanía
mundial. Los estudios dirigidos a su explicación son increíblemente numerosos (sólo en inglés, se publicaron 800 trabajos relacionados con el atentado de las Torres Gemelas durante el año siguiente). Apesar de esta prodigalidad, la litera- tura centrada en el fenómeno del terrorismo adolece en general de una falta de
información de primera mano, consecuencia directa de las características del propio objeto de estudio; los corpúsculos terroristas están formados por sujetos volátiles, ocultos, inaprensibles conceptual y moralmente desde una óptica estrictamente occidentalista. En opinión de su autor, los analistas han centrado
su interés y esfuerzo en todo tipo de causas explicativas externas cuando buena parte de su resolución radica en conocer las leyes internas, el porqué, la psicología, en definitiva, que anima a determinadas personas a convertirse en armas letales al servicio de una ideología de carácter fundamentalista.
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp? nitem=1821574)
En este conciso estudio, John Horgan comienza por centrarse en aquellas herramientas que la psicología puede aportar para una comprensión verdadera del fenómeno. Conocer los procesos que impulsan a los individuos a sostener una conducta de violencia. Investigar cuál es la relación entre el individuo y su entorno político, ideológico y religioso. Preguntarse cómo suele afectar el terro- rismo a los ciudadanos y a las instituciones, y qué opinan quienes cometen las acciones terroristas. Basado en entrevistas reales con terroristas y en evidencia documental, el corazón de este ensayo lo constituye un modelo del proceso que siguen la mayoría de aquellos que se adhieren a organizaciones terroristas: cómo ingresan al grupo, cómo lo viven y cómo es que, finalmente, lo dejan detrás. Para Horgan, conocer el pensamiento terrorista y construir su análisis sin prejuicios es la principal vía para comenzar a comprender el fenómeno más aciago del siglo que comienza.
(http://www.qproquo.com/libros/LA-PSICOLOGIA-DEL-TERRORISMO/12220/ 978-84-7432-546-1)
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 139
THE PUNISHMENT OF VIRTUE: WALKING THE FRONTLINE OF THE WAR ON TERROR WITH A WOMAN WHO HAS MADE IT HER HOME
Autor: SARAH CHAYES
Editora: PORTOBELLO BOOKS LTD; NEW ED EDITION
2007 - 400 p.
ISBN-10: 1846270758
ISBN-13: 978-1846270758
Readers of George Packer’s “The Assassin’s Gate”, Asne Seierstad’s “The Bookseller of Kabul”, Christina Lamb’s “The Sewing Circles of Herat”, Jason Burke’s “Al Qaeda”, Rory Stewart’s “The Places In-Between”, and Samantha Power’s “A Problem from Hell Tribal rivalries”, the bluff cunning of the warlords, the jihadist insurgents, the opium traders, the politicians and police chiefs: they all come under Chayes’ unblinking gaze, and her book yields telling and mesmerizing insights into how the imperially mighty American occupiers are outwitted and outdanced at every turn by lesser forces. The dazzling villain of this story? ISI, Pakistani intelligence, to whom every other group is but a puppet.
(http://www.amazon.co.uk/)
SPECTRUM OF TERROR Autor: DEKMEJ IAN, R. HRAIR Editora: CQ PRESS
2006 - 370 p.
ISBN : 1933116900
ISBN-13: 9781933116907
Dekmejian places terrorism within a spectrum of political violence, creating a typology of terror based on scale and intent as well as by type of actor from isolated attacks by individual bombers, to large scale attacks against state targets by organized networks, to state-sponsored genocide and politicide thereby allowing easy comparisons across multiple cases. The book s model of conflict is informed by gametheory, enriched with explanations of psychological, cultural, and historical contexts, helping students focus on the strategies and desired outcomes of different parties to conflict. This analytical approach enables students to trace the changes in mutual perceptions and preferences between terrorists and their targets and leads to a fuller understanding of the causes and dynamics of political violence. The books uniquely comprehensive coverage of terrorism includes extended cases on the IRA, the Tamil Tigers, Chechen rebels, Al Qaeda,AumShinrikyo, Hizbullah, and Hamas.
Richard Dekmejian is at the University of Southern California.
(http://www.amazon.co.uk/)
140 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.
STATE, DEMOCRACY AND ANTI-TERROR LAWS IN, THE
Autor: SINGH, UJ J WAL KUMAR
Editora: SAGEUSA
ISBN : 0761935185
ISBN13: 9780761935186
This book examines the implications for Indian society and politics of laws that are made to tackle events and situations out of the ordinary. By reviewing public debates, comparing specific clauses of the laws and noting how they have been interpreted over time in judicial pronouncements, the author shows how notions like nation, national identity and patriotism get entrenched in discourses on terrorism, conspiracy and national security; observes how extraordinary measures become ‘normal’ and acquire a place of permanence in the practices of the state; and concludes that extra-ordinary laws serve as instruments through which the hegemonic structures of the nation state are maintained.
(http://www.amazon.co.uk/)
TEACH YOURSELF: UNDERSTANDING TERRORISM (TEACH YOURSELF) Autor: KEITH SUTER
Editora: TEACH YOURSELF BOOKS
2007 - 224 p.
ISBN10: 0340928867
ISBN13: 978-0340928868
Teach Yourself: Understanding Terrorism is the essential guide for all those seeking to understand this global issue that affects each one of us. The events of the last five years have ensured weconsider the complexities of ‘terrorism’. The justification for the war in Iraq, the 7/7 London bombings carried out by members of our own society and the introduction of new laws on holding terrorist suspects all illustrate how entwined ‘terrorism’ is with religion, race, human rights, globalization, civil liberties and the media. This book considers each one of these aspects, looking at the history of terrorism, the events of the past five years and the international responses to ‘terrorism’. Keith Suter is an internationally renowned economic and social commentator, strategic planner, conference speaker, author and broadcaster. This is an objective and yet thoroughly engaging book - you will soon gain a more in-depth understanding of the complexity, history and context of terrorism.
(http://www.amazon.co.uk/)
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 141
TERROR
HOW ISRAEL HAS COPED AND WHAT AMERICA CAN LEARN Autor: COLE, LEONARD A.
Editora: INDIANA UNIVERSITY P
2007 - 224 p.
ISBN : 0253349184
ISBN-13: 9780253349187
A gripping narrative offers valuable lessons on preparedness and coping for the United States in an incisive study of how different segments of Israeli society have coped with the trauma of terrorism.
(http://www.amazon.co.uk/)
TERROR IN BLACK SEPTEMBER
THE FI R ST EY EWI TNESS ACCOUNT OF THE I NFAMOUS 1970 HIJ ACKINGS
Autor: RAAB, DAVID Editora: PALGRAVE USA 2007 - 288 p.
ISBN : 1403984204
ISBN-13: 9781403984203
On Sunday, September 6, 1970, the Popular Front for the Liberation of Palestine (PFLP) hijacked four airliners bound from Europe for New York. One, a brand new Pan Am 747, was taken to Cairo and blown up only seconds after its passengers escaped. The attempt to hijack a second plane, an El Al flight, was foiled and the plane landed safely in the UK. Two other planes, one TWA and one Swissair, were directed to the desert floor thirty-five miles northeast of Amman, Jordan, where a twenty-five day hostage drama began. With the additional hijacking of a British airliner, over four hundred and fifty hostages had landed in the Jordanian desert. David Raab was on the TWA flight with his mother and siblings but was separated from them and taken to a refugee camp and then to an apartment in Amman where he was held hostage through a civil war. This is his story. (http://www.palgrave-usa.com/catalog/product.aspx?isbn=1403984204)
142 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.
UNDERSTANDING, ASSESSING, AND RESPONDING TO TERROR PROTECTING CRITICAL INFRASTRUCTURE AND PERSONNEL Autor: BENNETT, BRIAN T.
Editora: J OHN WILEY PROFESSIO
2007
ISBN : 047177152X
ISBN13: 9780471771524
Assessment and Response to Terrorism provides readers with a thorough understanding of how to conduct a meaningful vulnerability assessment and apply protective measures to secure personnel and facilities. By using easily customized templates for the vulnerability analysis, security procedures, emergency response procedures, and training programs, the book offers a practical step-by-step process to help reduce risk.
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura)
This book provides readers (including facility managers, safety engineers, and emergency responders) with a thorough understanding of how to conduct a meaningful vulnerability assessment and apply the necessary protective measures to ensure the safety of both personnel and facilities. * Outlines techniques for improving personnel safety through the implementation of counter-terrorism programs. * Unites the emergency response/public sector community with the private sector over infrastructure protection, thus allowing for easier communication between them. * Has a unique perspective from an author with exhaustive experience in the field.
This book provides readers (including facility managers, safety engineers, and emergency responders) with a thorough understanding of how to conduct a meaningful vulnerability assessment and apply the necessary protective measures to ensure the safety of both personnel and facilities. It outlines techniques for improving personnel safety through the implementation of counter terrorism programs. It unites the emergency response/public sector community with the private sector over infrastructure protection, thus allowing for easier communication between them. It has a unique perspective from an author with exhaustive experience in the field.
(http://www.amazon.co.uk/)
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 143
VIRTUE AND TERROR
Autor: ZIZEK, SLAVOJ
Autor: ROBESPIERRE, MAXIMILIEN
Editora: WW NORTON
2007 - 154 p.
ISBN : 184467584X
ISBN-13: 9781844675845
Robespierre’s defense of the French Revolution remains one of the most powerful and unnerving justifications for political violence ever written, and has extraordinary resonance in a world obsessed with terrorism and appalled by the language of its proponents. Yet today, the French Revolution is celebrated as the event which gave birth to a nation built on the principles of enlightenment... So how should a contemporary audience approach Robespierre’s vindication of revolutionary ter- ror? Zizek takes a helter-skelter route through these contradictions, marshalling all the breadth of analogy for which he is famous.
(http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura)
144 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.

Cartas do leitor
20 Nov 2006
Prezados Senhores,
O Curso Superior de Inteligência Estratégica da Escola Superior de Guerra (CSIE/ESG) tem contribuído para o aprimoramento da Doutrina de Inteligên- cia em níveis operacional e estratégico, no interesse da Defesa e na preparação de recursos humanos para o SISBIN e no SINDE.
Sendo assim, esta Escola gostaria de receber os exemplares da Revista Brasilei- ra de Inteligência como forma de cooperação na área de inteligência, já que alguns profissionais da Agência são constantemente convidados para proferir importantes palestras aos estagiários do referido curso na ESG..
Gen. Nass Chefe do Departamento de Estudos/ESG
23 Nov 2006
Cara Coordenadora,
Fico muito agradecido de me incluírem na mala direta para envio da revista. Atitudes como esta de divulgar a atividade de Inteligência são de extrema im- portância para quebrarmos paradigmas e mostrar como trabalha esta área.
(...)
Muito agradecido pela atenção, nos colocando ao inteiro dispor, bem como a Superintendência de Inteligência da Secretaria de Justiça do Estado de Goiás.
Geyson Alves Borba Superintendente de Inteligência da Secretaria de Justiça do Estado de Goiás
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 145
22 Jan 2007
Comissão Editorial da Revista Brasileira de Inteligência,
Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-los pela iniciativa que, acredito, ren- derá muito bons frutos e já torna-se uma excelente fonte de discussões dos te- mas inerentes à área.
(...)
Desde já grato,
Gerson da Silva Velasques, Capitão de Infantaria servindo no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília
26 Fev 2007
Prezados,
Tomei conhecimento da Revista no A2 do V COMAR. Parabenizo toda a equipe que a produz. A equipe sabe que a cada nova edição é mais uma missão bem sucedida, mas também que antes deste sucesso muito trabalho, dedicação e amor ao que se faz se antecede.
Gostaria de receber a Revista que é quadrimestral e me colocar à disposição para colaborar no que for necessário para que a Revista continue existindo para o aprimoramento dos profissionais de inteligência
Saudações,
Romulo Amaral F Assessor Especial de Inteligência CSEG/GSE- Grupo de Segurança Estratégica Diretoria da Procergs
Governo do Estado do Rio Grande do Sul
146 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.
18 Abr 2007
Olá ...
Quero primeiramente agradecer por ter me enviado os números 2 e 3 da revis- ta, achei os artigos excelentes, serão uma ótima fonte de referências bibliográ- ficas para as pesquisas que estou fazendo.
Apropósito, gostei muito dos artigos do Sr. Fernando do Carmo e Srª Josemária, na revista nº 3.
(...)
Obrigado por sua atenção
Fabio Fonseca Escrivão de Polícia Judiciária
19 Abr 2007
Acuso o recebimento dos exemplares 2 e 3..., publ. 2006, da Revista Brasileira de Inteligência. Ao agradecer pela gentileza dessa remessa, gostaria solicitar para completar a coleção, a remessa do número 1, e também a continuidade de envio dos próximos exemplares dessa excelente revista quadrimestral...
A linguagem é claríssima e bem objetiva, exercendo uma atração fantástica do leitor visualizando o mundo também fantástico do universo da inteligência, cuja atração e fascínio é exercida aos apaixonados pela área, como é o meu caso...
... envolvendo o universo imenso da área de inteligência, cuja definição compa- rando-a com a informação, foi bem abordada nas publicações, no seu amplo sen- tido. Portanto, renovando meus agradecimentos e cumprimentos por essa grande inovação da ABIN, ao fazer a difusão dessas obras num sentido prático...
... da Revista Brasileira de Inteligência, INTELIGENTEMENTE CRIADA POR QUEM É MESTRE NA ÁREA...
Oldemar Silva de Jesus Servidor Público Federal Aposentado - IBGE - Técnico de Informações - Geog. Estat.
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 147
Você sabia?
Que em 2007 a atividade de Inteligência no Brasil completa 80 anos?
Em29 de novembro de 1927, o então Presidente Washington Luiz, por Decreto nº 17999, criou o Conselho de Defesa Nacional com o encargo, entre outros de “coordenar as informações sobre todas as questões de ordem financeira, econômica, bélica e moral, relativas à defesa da Pátria”. Trata- se do primeiro instrumento tratando do exercício da ora denominada atividade de Inteligência de Estado no país.
A Abin, herdeira das tradições dos órgãos de Inteligência que a antecederam, comemora neste ano o 80º aniversário da atividade de Inteligência de Estado no Brasil.
148 REVISTABRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007.

Normas Editoriais
A Revista Brasileira de Inteligência é uma publicação da Agência Brasileira de Inteligência que tem como principais objetivos: divulgar a atividade de Inteligência; pro- mover a difusão e o debate de idéias acerca de temas relacionados com a atividade de Inteligência; servir como veículo para promoção da cultura dessa atividade de Estado destinada a assessorar o processo decisório nacional.
A Revista Brasileira de Inteligência aceitará a participação de colaboradores, in- ternos e externos, por meio da inserção de artigos que atendam aos objetivos acima fixados e às seguintes regras:
1 Tipos de colaboração aceitos
Trabalhos relacionados com a atividade de Inteligência que se enquadrem nas seguintes modalidades:
1.1 Ensaio: composição em que o autor expressa, mediante a organização de dados, informações e idéias, sua visão crítica e analítica sobre determinada questão;
1.2 Crônica: texto redigido de forma livre e pessoal, que tem como temas fatos ou idéias da atualidade ou da vida cotidiana;
1.3 Conto: narrativa concisa, que contém unidade dramática e cuja ação con- centra-se num único ponto de interesse;
1.4 Anedota: relato sucinto de fato jocoso ou de particularidade engraçada de figura histórica ou lendária;
1.5 Lenda: narração em que fatos históricos são deformados pela imaginação popular ou pela imaginação poética;
1.6 Mito: narrativa de significado simbólico, sem correspondente na realidade, geralmente enfocando a origem de determinado fenômeno, instituição, etc., transmitida de geração em geração e considerada verdadeira por um grupo;
1.7 Entrevista: texto reproduzindo diálogo do autor com pessoa(s) de notório saber ou reconhecida competência, no caso específico, em área de interesse da ativida- de de Inteligência;
1.8 Resenha: revisão crítica de texto relevante;
1.9 Resumo: apresentação, concisa e de forma isenta (sem emissão de juízos de valor), do conteúdo de artigo, livro, filme, tese, dissertação e outros documentos;
1.10 Informativo: apresentação de notícias e eventos, no caso específico, de interesse da Atividade de Inteligência;
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1.11 Carta: manifestação de impressão, opinião, sugestão ou crítica relativas a matérias publicadas na Revista;
1.12 História em quadrinhos: narração, baseada em fato ou ficção, feita por meio de desenhos e legendas dispostos em pequenos quadros; e
1.13 Charge: representação pictórica, de caráter burlesco e caricatural, em que se satiriza um fato específico, em geral de caráter político e de conhecimento público.
2 Envio de colaboração
2.1 As matérias devem ser enviadas para o endereço eletrônico revista@abin.gov.br, via Internet ou Intranet Abin, acompanhadas da Ficha de Identifica- ção do Autor (Anexo I) preenchida.
2.2 Solicita-se Declaração de Responsabilidade (de conformidade com o Anexo II), que, após preenchida e assinada, deve ser encaminhada para o seguinte endereço:
Comissão Editorial da Revista Brasileira de Inteligência
SPO, Área 5, Quadra 1, Bloco K
Brasília – DF – Brasil
CEP: 70.610-200.
2.3 Textos para apreciação devem consistir de no máximo 10 laudas e estar acom- panhados de resumo informativo de até cinco linhas, ambos redigidos no formato Word (ver item 5).
2.4 Textos nos idiomas inglês e espanhol também serão aceitos.
3 Procedimentos da Comissão Editorial
3.1 Aseleção de artigos e a definição quanto à conveniência e à oportunidade de publicação competem à Comissão Editorial da Revista.
3.2 Durante o processo de avaliação, a Comissão Editorial assegura o anonima- to dos autores e dos avaliadores, permitindo a estes últimos liberdade para julgamentos e avaliações.
3.3 Em sua avaliação, a Comissão considerará aspectos éticos e relativos a con- teúdo e apresentação da matéria. Ela poderá: aceitar integralmente o trabalho (sem necessidade de reparos de conteúdo); aceitá-lo em parte, propondo alterações, corre- ções ou complementação no conteúdo; ou recusá-lo.
3.4 Correção gramatical do trabalho poderá ser feita independentemente de con- sulta ao autor.
3.5 Os trabalhos selecionados pela Comissão Editorial serão enviados para aprovação do Conselho Editorial da Abin, que poderá fazer uso de consultores ad hoc , a seu critério.
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3.6 Os autores serão notificados da aceitação parcial ou total ou da recusa de sua contribuição.
4 Outras informações
4.1 As matérias, mesmo que não publicadas, não serão devolvidas aos autores. 4.2 A Revista não remunera pelas colaborações.
4.3 Cada autor receberá dois exemplares do número da revista em que sua ma- téria for publicada.
4.4 Todos os direitos sobre a Revista são reservados e protegidos pela lei de direitos autorais.
4.5 A publicação de matérias na Revista condiciona-se à assinatura, pelo autor ou responsável, de termo de cessão dos direitos autorais à Abin.
4.6 A publicação, em outros meios de comunicação ou obras literárias, de arti- gos da Revista, bem como de partes de textos que excedam 500 palavras e de tabelas, figuras, desenhos ou ilustrações, está condicionada à autorização expressa da Abin.
4.7 A reprodução total ou parcial de artigos da revista é permitida, desde que citada a fonte.
4.8 A citação dos artigos, em outras obras ou qualquer outro meio de comunica- ção, é permitida desde que citada a fonte.
4.9 Artigos enviados à Revista que contiverem partes extraídas de outras publi- cações deverão obedecer às normas relativas a direitos autorais, para garantir a origina- lidade do trabalho.
4.10 Recomenda-se evitar reprodução de figuras, tabelas, desenhos ou ilustra- ções copiados de outras publicações. Caso não seja possível, é necessário citar a fonte do trabalho original.
5 Forma de apresentação dos textos
5.1 Os trabalhos deverão seguir os critérios da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os quais, durante a editoração, serão adaptados ao projeto e formato editorial da Revista.
REVISTA BRASILEIRADE INTELIGÊNCIA. Brasília: Abin, v. 3, n. 4, set. 2007. 151
5.2 Formatação:
I T E M E S P E C I F I C A Ç Ã O
Formato do papel A4 (210 mmx 297 mm)
Fonte
Arial
Título e subtítulo: 14, caixa baixa, negrito, justificado à esquerda Título das subdivisões: 12, caixa baixa, negrito, justificado à esquerda
Tamanho Texto: 12
Nota de rodapé e citação bibliográfica: 10
Estilo
Normal
Superior: 2,0 cm
Margem
Inferior: 2,0 cm Direita: 2,0 cm
Esquerda: 2,5 cm
Espaçamento De 1,5 entre linhas; espaço simples nos textos de citação.
Parágrafo Recuo de 2 cm.
Abreviatura
Ao ser inserida no texto pela primeira vez, deverá estar entre parênteses e precedida de seu significado por extenso.
Quando for composta de mais de três letras e pronunciada como palavra (acrônimo), apenas a inicial deverá ser maiúscula.
Exemplos:
Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF);
Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Palavra estrangeira
Grafar em itálico.
Exemplo:
ad doc
Nomes de agências, entidade e organismos devem ser traduzidos ou adaptados para o português (em fonte normal), seguidos da sigla original, entre parênteses.
Exemplo:
Agência Central de Inteligência (CIA).
Referência bibliográfica
Observar a NBR 6023/2002 da ABNT.
Apresentar referência completa em lista ao final do texto.
Exemplos de referência:
GROTIUS, Hugo. O direito da guerra e da paz. Ijuí: Unijuí, 2004.
LAFOUASSE, Fabien. L´espionage em droit international. In: Annuaire française de droit international. Paris: CNRS, 2001. v. 57, p. 63-136.
BAKER, Christopher D. Tolerance of international espionage: a functional approach. Disponível em: <http://inteldump.powerblogs.com/ files/espionage.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2005.
BRASIL. Lei n.° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Seção 1, p.28.
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I T E M E S P E C I F I C A Ç Ã O
Citação
Observar a NBR 10520/2002 da ABNT.
Citação é a menção, no texto, de informação extraída de outra fonte. Pode ser:
• Citação direta – transcrição textual literal de parte da obra do autor consultado. A citação no texto, se ocupar até 3 linhas, deve ser transcrita entre aspas duplas, incorporada ao parágrafo.; se ocupar mais de 3 linhas, deve ser apresentada em parágrafo isolado, com recuo de 4 cm, sem aspas, e letras tamanho 10. Incluir o sobrenome do autor, data,
volume, página da fonte consultada.
Exemplos:
“A morte é a fronteira da liberdade. Ela não é o alvo da vida, mas o seu ponto final.” (GIANNETTI, 2005, p.61)
Paoli e Almeida (1996, p.190) chamam a atenção para a presença desses segmentos no espaço da cidade, a partir das soluções que encontram em sua ocupação.
[...] O próprio espaço urbano se redesenha: antigos bairros são
reinventados em sua ocupação, as ruas se enchem de ambulantes, mendigos, vendedores itinerantes, pequenos golpistas, crianças de rua, todos com estratégias próprias de sobreviver que incluem um conhecimento sofisticado dos
próprios recursos técnicos da cidade.
• Citação indireta ou livre – O autor reproduz com suas próprias palavras o pensamento de, outrem, não necessitando de aspas. A citação de páginas é opcional.
Exemplos:
Tal é a visão política de Toni Negri (1993) ao considerar – como estratégia de novas realizações – o poder constituinte.
Este processo é cíclico e deve ser realimentado constantemente (CHOO, 1998).
Nota de rodapé
Observar a NBR 10520/2002 da ABNT.
Destina-se a prestar esclarecimentos ou tecer considerações, que não devem ser incluídas no texto, para não interromper a seqüência lógica da leitura.
A nota deve aparecer na mesma página em que ocorre a chamada numérica no texto. A numeração deve ser única e consecutiva para cada capítulo ou parte. Ela deve ser
separada do texto por um traço de 3 cm. Utilize letra tamanho 10.
A nota de rodapé pode ser de referência ou explicativa. Pode ser usada para:
• Indicar a fonte de uma citação, ou seja, uma obra da qual se extraiu uma frase, ou da qual se utilizou uma idéia ou informação;
• Fornecer a tradução de uma citação ou sua versão original;
• Fazer observações e comentários adicionais;
• Indicar trabalhos apresentados em eventos, mas não publicados;
• Indicar dados obtidos por meio de contatos informais.
A primeira nota de referência deve ser na íntegra. As subseqüentes citações da mesma obra podem ser referenciadas de forma abreviada, utilizando as expressões: idem (mesmo
autor), ibidem (na mesma obra), apud (citado por) e outros
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